Perseverance revela paisagem antiga de Marte em selfie impressionante na Cratera Jezero

Perseverance registra selfie inédita próximo à formação Arethusa durante exploração extrema na Cratera Jezero. (Imagem: NASA / JPL-Caltech / MSSS)
Perseverance registra selfie inédita próximo à formação Arethusa durante exploração extrema na Cratera Jezero. (Imagem: NASA / JPL-Caltech / MSSS)

O rover Perseverance, da NASA, registrou uma nova selfie em uma das regiões mais importantes já exploradas em Marte. A imagem foi capturada na borda oeste da Cratera Jezero e mostra um cenário repleto de rochas antigas, formações vulcânicas e estruturas geológicas que podem revelar detalhes sobre o passado do planeta vermelho.

A fotografia foi montada a partir de 61 imagens individuais e marca o ponto mais distante alcançado pelo rover desde seu pouso em Marte, em 2021. Além do valor visual impressionante, o local analisado pode conter algumas das rochas mais antigas já estudadas diretamente por uma missão robótica marciana. Entre os principais destaques da exploração estão:

  • Rochas possivelmente formadas há cerca de 4 bilhões de anos;
  • Estruturas relacionadas a antigos impactos de meteoritos;
  • Sinais de atividade vulcânica no passado de Marte;
  • Coleta e análise de minerais ígneos;
  • Investigação da crosta primitiva marciana.

O rover chegou a uma das áreas mais antigas de Marte

A região explorada pelo Perseverance faz parte da chamada Campanha da Orla Norte, atual fase científica da missão. O rover investigou um afloramento rochoso apelidado de “Arethusa”, onde utilizou sua ferramenta de abrasão para remover parte da superfície e estudar o interior da rocha.

As análises indicaram a presença de minerais ígneos, formados a partir do resfriamento de magma no subsolo marciano. Isso sugere que essas estruturas podem ser mais antigas que a própria Cratera Jezero.

Perseverance revelou panorama detalhado de Arbot, expondo formações rochosas moldadas pelos ventos marcianos. (Imagem: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS)
Perseverance revelou panorama detalhado de Arbot, expondo formações rochosas moldadas pelos ventos marcianos. (Imagem: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS)

Além disso, imagens panorâmicas registradas pela câmera Mastcam-Z revelaram terrenos extremamente variados, incluindo formações conhecidas como megabrechas, grandes fragmentos rochosos lançados por impactos gigantescos ocorridos bilhões de anos atrás.

Rochas podem revelar se Marte já foi habitável

Os cientistas acreditam que estudar essas rochas antigas pode ajudar a entender como Marte se formou e se o planeta já teve condições favoráveis à vida.

Diferente do delta sedimentar explorado anteriormente pelo rover, a nova área contém materiais ligados à crosta profunda marciana e antigos processos vulcânicos. Essas informações podem esclarecer questões importantes sobre:

  • A existência de antigos oceanos de magma;
  • A evolução geológica de Marte;
  • A presença passada de água líquida;
  • As condições iniciais de habitabilidade do planeta.

Após mais de cinco anos de operações, o Perseverance já percorreu quase 42 quilômetros em Marte, coletando dezenas de amostras de rochas que poderão futuramente retornar à Terra.

Mesmo coberto por poeira marciana, o rover continua funcionando plenamente enquanto avança rumo a novas regiões científicas consideradas fundamentais para desvendar a história do planeta vermelho.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes