A maior lua do sistema solar pode esconder pistas importantes sobre vida fora da Terra. Pesquisadores identificaram regiões promissoras em Ganimedes que podem abrigar criovulcões, estruturas capazes de lançar água e materiais do interior gelado para a superfície.
A descoberta ganha ainda mais importância porque a sonda Agência Espacial Europeia já enviou a missão JUICE rumo ao sistema de Júpiter. O objetivo é investigar luas oceânicas como Ganimedes, Europa e Calisto em busca de condições favoráveis à vida.
O estudo, aceito para publicação no The Planetary Science Journal, utilizou dados antigos da missão Galileo para mapear possíveis áreas de atividade geológica recente. Entre os principais pontos observados estão:
- Indícios de gêiseres congelados em Ganimedes;
- Possíveis depósitos de água vindos do interior da lua;
- Regiões que podem conter moléculas orgânicas;
- Locais prioritários para observação da missão JUICE.
Uma lua gigante com oceano escondido sob quilômetros de gelo
Ganimedes é um dos mundos mais intrigantes do sistema solar. Além de ser maior que o planeta Mercúrio, ela também possui um campo magnético próprio, característica extremamente rara entre luas.
Os cientistas acreditam que sob sua espessa crosta congelada exista um oceano subterrâneo gigantesco, contendo possivelmente mais água do que todos os oceanos da Terra juntos.

É justamente desse oceano que poderiam surgir os criovulcões. Diferente dos vulcões terrestres, essas estruturas não liberam lava, mas sim água, gelo e compostos voláteis expulsos através de fissuras na superfície.
Essa atividade ocorre devido às intensas forças gravitacionais exercidas por Júpiter, que deformam o interior da lua e geram calor suficiente para manter parte da água em estado líquido.
Missão JUICE pode encontrar pistas sobre habitabilidade extraterrestre
Para localizar possíveis regiões criovulcânicas, os pesquisadores analisaram imagens e dados infravermelhos coletados pela antiga sonda Galileo entre 1995 e 2003.
O estudo identificou quatro grandes depressões superficiais chamadas paterae, estruturas consideradas candidatas fortes a antigas aberturas criovulcânicas.
Quando chegar ao sistema joviano, a missão JUICE utilizará instrumentos avançados, como o espectrômetro MAJIS e a câmera JANUS, para investigar essas regiões com detalhes inéditos. Os cientistas esperam detectar:
- Moléculas orgânicas;
- Compostos químicos vindos do oceano interno;
- Possíveis bioassinaturas preservadas no gelo;
- Evidências de atividade geológica recente.
Além de aprofundar o conhecimento sobre Ganimedes, as futuras observações também poderão ajudar a entender como mundos oceânicos evoluem em diferentes regiões da galáxia.
Se houver ambientes habitáveis escondidos sob o gelo dessas luas gigantes, missões como a JUICE podem representar um dos passos mais importantes da busca por vida extraterrestre.

