Nova missão da NASA buscará planetas invisíveis e buracos negros na Via Láctea

NASA usará Hubble e Roman para investigar mistérios no centro da Via Láctea. (Imagem: NASA)
NASA usará Hubble e Roman para investigar mistérios no centro da Via Láctea. (Imagem: NASA)

O centro da nossa galáxia está prestes a ser investigado como nunca antes. A NASA anunciou uma missão conjunta envolvendo o Telescópio Espacial Hubble e o novo Telescópio Espacial Nancy Grace Roman para explorar o chamado bojo galáctico, uma das regiões mais densas e misteriosas da Via Láctea.

A operação deve começar em setembro e promete revelar milhões de estrelas, além de objetos praticamente invisíveis aos telescópios convencionais. O objetivo é criar um gigantesco mapa do núcleo galáctico, ajudando cientistas a entenderem melhor a estrutura e a evolução da galáxia. Entre os principais alvos da missão estão:

  • Planetas errantes vagando sozinhos pelo espaço;
  • Buracos negros isolados;
  • Objetos rochosos menores que planetas;
  • Regiões densas de poeira cósmica;
  • Milhões de estrelas concentradas no centro galáctico.

O telescópio Roman será peça central da missão

O telescópio Roman será responsável pela maior parte das observações iniciais. Seu grande diferencial está no enorme campo de visão, muito superior ao do Hubble. Isso permitirá registrar simultaneamente uma quantidade gigantesca de estrelas.

Enquanto o Hubble consegue catalogar dezenas de milhões de astros, o Roman poderá ampliar esse número para cerca de 300 milhões de estrelas observadas.

Missão espacial buscará planetas errantes e buracos negros ocultos na galáxia. (Imagem: Getty Images via Canva)
Missão espacial buscará planetas errantes e buracos negros ocultos na galáxia. (Imagem: Getty Images via Canva)

Além disso, o Hubble já iniciou um mapeamento prévio das áreas que serão analisadas futuramente. Esses registros servirão como comparação para identificar mudanças de brilho, deslocamentos e eventos cósmicos raros.

Técnica poderá revelar objetos invisíveis

A principal estratégia científica da missão será a utilização da microlente gravitacional, fenômeno previsto pela Theory of Relativity.

Nesse processo, a gravidade de objetos massivos distorce e amplia a luz de estrelas ao fundo, funcionando como uma lente natural no espaço. Essa técnica é considerada extremamente poderosa porque permite detectar corpos quase invisíveis, incluindo:

  • Buracos negros sem estrelas próximas;
  • Planetas flutuando sozinhos na galáxia;
  • Pequenos corpos rochosos;
  • Objetos com baixa emissão de luz.

O que os cientistas esperam descobrir?

Um dos focos mais fascinantes da missão envolve os chamados planetas errantes, mundos expulsos de seus sistemas planetários que passaram a vagar livremente pela galáxia.

Os cientistas também pretendem construir mapas detalhados da poeira cósmica que dificulta a observação do centro galáctico. Essas informações poderão ajudar a entender melhor como a Via Láctea se formou ao longo de bilhões de anos.

Combinando os dados do Hubble e do Roman, os pesquisadores esperam calcular com muito mais precisão as massas e características desses objetos celestes.

A missão representa um dos projetos astronômicos mais ambiciosos dos últimos anos e poderá revelar partes praticamente desconhecidas da nossa própria galáxia.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes