Um novo estudo da Academia Chinesa de Ciências, publicado em Science Advances em 7 de janeiro de 2026 (Tafeng Hu et al., DOI: 10.1126/sciadv.adz7779), revela que o ar urbano está repleto de microplásticos (MPs) e nanoplásticos (NPs) em níveis muito superiores ao estimado anteriormente. A pesquisa, realizada em Guangzhou e Xi’an, mostra que essas partículas microscópicas podem se espalhar pelo ambiente através da poeira das ruas, chuva e neve, transformando a atmosfera em um reservatório invisível de poluição plástica.
As descobertas destacam a necessidade urgente de compreender como esses plásticos afetam a saúde humana, os ecossistemas e até os processos climáticos. Entre os pontos-chave identificados pelo estudo:
- Partículas detectadas com dimensões de até 200 nm, incluindo nanoplásticos invisíveis;
- Concentração de plásticos duas a seis ordens de magnitude maior que estimativas anteriores;
- Ressuspensão de poeira e deposição úmida como principais vias de transporte;
- Partículas mais heterogêneas em locais de deposição do que em aerossóis, indicando aglomeração e remoção ao longo da trajetória.
Como os cientistas mediram os plásticos no ar urbano?

Para superar as limitações das técnicas tradicionais, os pesquisadores desenvolveram um método microanalítico semiautomatizado, utilizando microscopia eletrônica de varredura controlada por computador.
Essa abordagem reduz o viés humano presente na análise manual, permite identificar partículas em uma faixa de tamanho muito ampla, rastreia a movimentação de plásticos pelo ar, poeira, chuva e neve e fornece dados quantitativos confiáveis sobre a concentração e distribuição de microplásticos e nanoplásticos. Com isso, a inovação tecnológica oferece o panorama mais detalhado até hoje sobre o plástico atmosférico, um componente ainda pouco compreendido do ciclo global do plástico.
Impactos potenciais para a saúde e o clima
O acúmulo de micro e nanoplásticos no ar urbano levanta preocupações significativas, pois essas partículas podem ser inaladas, atingindo os pulmões e outras regiões do corpo. Além disso, alteram os processos químicos e físicos da atmosfera, impactando a chuva e a qualidade do ar, e contribuem para a disseminação da poluição plástica em áreas distantes, incluindo solos e oceanos.
Esses plásticos também podem interferir nos ciclos biogeoquímicos, influenciando a biodiversidade e os ecossistemas. O estudo de Tafeng Hu e colaboradores, publicado na Science Advances, oferece uma visão inédita sobre a dimensão do problema e reforça a necessidade de políticas ambientais que considerem o ar como um reservatório crítico de poluição.

