O Pantanal, maior planície alagável do planeta e patrimônio natural da humanidade, vive uma das piores crises ambientais de sua história. De acordo com levantamento do MapBiomas, o bioma perdeu 75% da área alagada nas últimas quatro décadas, um dado que revela o quanto o equilíbrio entre cheias e secas está comprometido.
O período de 1985 a 2024 mostra um padrão alarmante: as cheias são cada vez menores, enquanto as secas se tornam mais longas e severas. Essa tendência ameaça não apenas a biodiversidade pantaneira, mas também a manutenção do ciclo das águas em toda a região Centro-Oeste. Principais pontos do levantamento:
- O ano de 2024 foi o mais seco da série histórica;
- A área alagada caiu de 1,6 milhão para 460 mil hectares;
- A última grande cheia, em 2018, foi 22% menor que a de 1988;
- O Planalto da Bacia do Alto Paraguai perdeu 37% da vegetação nativa;
- A agricultura e a pecuária ocupam quase 60% do território da região.
Do Planalto ao colapso das águas
O declínio do Pantanal não é isolado. Ele está diretamente ligado à degradação do Planalto da Bacia do Alto Paraguai (BAP), onde nascem os rios que alimentam o bioma. Nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o avanço do agronegócio, especialmente da soja e das pastagens, reduziu drasticamente as áreas naturais, prejudicando o fluxo hídrico entre o Planalto e a Planície Pantaneira.

Entre 1985 e 2024, o Planalto perdeu mais de 5 milhões de hectares de vegetação nativa, enquanto a agricultura cresceu quase quatro vezes. Hoje, 60% da área já é considerada antropizada, o que reduz a infiltração de água e intensifica os períodos de estiagem.
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Pantanal está se transformando em pasto
Outro fator crítico é a expansão das pastagens, que já cobrem boa parte da planície e apresentam baixo vigor vegetativo. As plantas, menos verdes e com rebrote limitado, indicam solo degradado e menor capacidade de retenção de umidade.
Além da pecuária, a mineração também se tornou uma ameaça crescente, aumentando 60% na última década. Essa combinação de pressões antrópicas acelera o processo de desertificação local, alterando o comportamento das águas e tornando o bioma cada vez mais seco.
O futuro da maior planície alagável do planeta
O levantamento evidencia que a década de 2015 a 2024 foi a mais seca já registrada, com perda de 1,2 milhão de hectares de área alagada em comparação às décadas anteriores. Se o ritmo continuar, o Pantanal poderá perder sua capacidade natural de regulação hídrica, afetando não só os ecossistemas, mas também a produção de água doce e as atividades econômicas dependentes das cheias.
A crise atual do Pantanal é um reflexo direto das transformações humanas sobre a paisagem. O desafio, agora, é repensar o uso do solo e adotar práticas que restaurem o equilíbrio entre o Planalto e a Planície, antes que a planície mais biodiversa do planeta se transforme definitivamente em um deserto verde.

