O coração da Via Láctea pode guardar um dos objetos mais extremos já detectados. Um estudo publicado na revista The Astrophysical Journal descreve evidências de um possível pulsar girando rapidamente nas proximidades do buraco negro supermassivo Sagitário A*.
Os sinais foram captados por meio de observações de rádio e apontam para um objeto com impressionantes 122 rotações por segundo. Caso confirmado, ele poderá se tornar uma ferramenta natural para investigar fenômenos gravitacionais extremos. Em resumo, os dados indicam:
- Objeto compacto no centro galáctico;
- Rotação ultrarrápida (122 Hz);
- Campo magnético bilhões de vezes mais intenso que o da Terra;
- Potencial para testar a relatividade geral.
Um farol cósmico de magnetismo extremo
Pulsares são estrelas de nêutrons, remanescentes do colapso de estrelas massivas após explosões de supernova. Extremamente densos, concentram até o dobro da massa do Sol em uma esfera de cerca de 20 quilômetros de diâmetro. Além disso, possuem alguns dos campos magnéticos mais intensos do Universo.
À medida que giram, emitem feixes de radiação a partir de seus polos magnéticos. Quando esses feixes cruzam a Terra, detectamos pulsos regulares de rádio, verdadeiros “relógios cósmicos”. Essa precisão permite medições minuciosas do espaço-tempo ao redor.
O candidato identificado foi chamado de Breakthrough Listen Pulsar (BLPSR) e foi detectado com o auxílio do radiotelescópio Observatório Green Bank, um dos mais sensíveis do mundo.
Um ambiente caótico e desafiador
O núcleo da galáxia é uma região turbulenta, repleta de poeira interestelar, gás ionizado e estrelas densamente agrupadas. Essa complexidade dificulta observações em luz visível. Entretanto, as ondas de rádio conseguem atravessar essas barreiras, tornando-se essenciais para explorar o local.
Curiosamente, os cientistas esperavam encontrar vários pulsares nessa região. O fato de apenas um candidato ter sido detectado levanta questões sobre a real população desses objetos no entorno de Sagitário A*.
Testando a relatividade no limite
Segundo a teoria da relatividade geral, proposta por Albert Einstein, objetos extremamente massivos deformam o espaço-tempo ao seu redor. Se um pulsar orbitar próximo a um buraco negro supermassivo, pequenas alterações no tempo de chegada de seus pulsos podem revelar essas distorções com altíssima precisão.
Com mais de quatro milhões de massas solares, Sagitário A* representa um laboratório natural ideal para esse tipo de teste. Nos próximos anos, instrumentos ainda mais sensíveis, como o Square Kilometre Array, deverão ampliar essa busca.
Se confirmado, o novo pulsar poderá redefinir nosso entendimento sobre o núcleo galáctico e, possivelmente, oferecer um dos testes mais rigorosos já realizados das leis fundamentais que regem o Universo.

