Obesidade aumenta gravidade de infecções e hospitalizações ao longo da vida, alerta estudo

Peso alto aumenta hospitalizações por doenças comuns. (Foto: Getty Images via Canva)
Peso alto aumenta hospitalizações por doenças comuns. (Foto: Getty Images via Canva)

O excesso de peso vai além de problemas metabólicos ou cardíacos: ele também torna infecções mais graves. Um estudo recente acompanhou mais de 540 mil adultos por mais de uma década e identificou que pessoas com obesidade têm até 70% mais risco de hospitalização ou morte por doenças infecciosas. Quanto maior o IMC, maior a gravidade dos quadros clínicos, e indivíduos com obesidade severa (IMC ≥ 40) podem enfrentar três vezes mais risco de complicações graves.

Os resultados são do estudo publicado na revista The Lancet, Obesidade em adultos e risco de infecções graves: um estudo multicêntrico com estimativas da carga global, conduzido por Solja T Nyberg, PhD, em 9 de fevereiro de 2026 (DOI: 10.1016/S0140-6736(25)02474-2).

Infecções mais afetadas pelo excesso de peso

O estudo avaliou diferentes tipos de infecções, incluindo virais, bacterianas, fúngicas e parasitárias, e constatou que pessoas com obesidade tendem a desenvolver formas mais graves de doenças comuns, como gripe, Covid-19, pneumonia, gastroenterite, infecções urinárias e respiratórias inferiores. 

Em contraste, infecções como HIV e tuberculose não mostraram aumento significativo de gravidade, indicando que o excesso de peso interfere principalmente na evolução de infecções cotidianas, tornando os sintomas mais intensos e o risco de complicações maior.

Como a obesidade compromete a recuperação

A obesidade está associada a inflamação crônica, metabolismo alterado e sistema imunológico menos eficiente, fatores que dificultam a recuperação do organismo após uma infecção.

O estudo também evidenciou que indivíduos que reduziram peso ao longo do acompanhamento apresentaram uma redução de aproximadamente 20% no risco de complicações graves. Esse dado reforça a importância de hábitos saudáveis, alimentação balanceada e prática de atividade física na prevenção de quadros graves.

Medidas preventivas e políticas públicas

Para reduzir os impactos da obesidade sobre a gravidade das infecções, especialistas indicam:

  • Manter vacinação em dia
  • Seguir alimentação equilibrada e nutritiva
    Praticar exercícios regularmente
  • Implementar políticas públicas voltadas à prevenção da obesidade

Essas ações ajudam a diminuir hospitalizações e mortes, além de melhorar a qualidade de vida e a saúde geral.

Implicações globais da pesquisa

O estudo mostra que a obesidade não afeta apenas doenças crônicas, como diabetes e problemas cardiovasculares, mas também aumenta significativamente a gravidade de infecções comuns. O trabalho fornece dados sólidos para que profissionais de saúde, gestores e políticas públicas adotem estratégias preventivas, reduzindo complicações e hospitalizações associadas ao excesso de peso.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-13912) e une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica. Com rigor técnico e olhar atento, dedica-se a traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano, combatendo a desinformação com embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn