Uma nuvem de poeira lunar que acompanha a Lua no espaço, com distribuição assimétrica, intrigou astrônomos desde sua descoberta. A densidade dessa nuvem é extremamente baixa, cerca de 0,004 partículas por metro cúbico, e por isso invisível a olho nu, mas sua forma peculiar chamou atenção da comunidade científica. Recentes simulações computacionais indicam que a variação extrema de temperatura entre o lado diurno e o noturno da Lua é a principal responsável pelo fenômeno.
A nuvem de poeira, formada por partículas levantadas por micrometeoroides, se estende por centenas de quilômetros acima da superfície lunar e apresenta maior concentração sobre o lado iluminado pelo Sol. As descobertas recentes detalham fatores cruciais para entender a dinâmica dessa nuvem:
- A superfície diurna da Lua pode atingir temperaturas acima de 112 °C, enquanto a noite lunar despenca para -183 °C;
- Meteoroides que colidem com áreas mais compactas lançam maior quantidade de partículas;
- Superfícies mais fofas amortecem impactos, gerando menos poeira;
- A fração de partículas que alcança a altitude de satélites é maior no lado diurno;
- A diferença de 6% a 8% na poeira levantada contribui para a assimetria observada.
Como o calor diurno influencia a nuvem lunar

A diferença entre o dia e a noite na Lua chega a impressionantes 285 °C. Essa variação extrema altera as propriedades físicas do regolito lunar, a camada superficial de poeira e rochas, tornando algumas áreas mais compactas e outras mais soltas. Ao colidir com partículas mais compactas, os micrometeoroides geram maior quantidade de poeira em baixa velocidade, capaz de alcançar altitudes significativas e até ser detectada por satélites em órbita.
Além disso, as partículas ejetadas durante o dia possuem energia suficiente para permanecer suspensas por mais tempo, o que reforça a predominância da nuvem sobre o lado iluminado pelo Sol. Por outro lado, colisões noturnas liberam menos poeira e com menor capacidade de dispersão, explicando a assimetria observada.
Simulações computacionais e impactos futuros
Pesquisadores utilizaram modelos detalhados simulando impactos de micrometeoroides com espessura equivalente a um fio de cabelo humano, variando temperatura e compactação do regolito. O estudo, publicado no Journal of Geophysical Research: Planets, confirma que a diferença de temperatura é suficiente para alterar o padrão de dispersão da poeira lunar, sem necessidade de invocar explicações exóticas.

Esse avanço não só esclarece um mistério lunar antigo, mas também abre caminho para estudos em outros corpos do Sistema Solar. Planetas como Mercúrio, com diferenças de temperatura ainda maiores entre dia e noite, podem exibir nuvens de poeira mais assimétricas, fenômeno que futuras missões como a BepiColombo poderão investigar.
Nuvens de poeira como indicadores da superfície lunar
A pesquisa também destaca que a nuvem de poeira pode funcionar como indicador da compactação do solo lunar. Superfícies mais firmes lançam mais partículas e podem ser mapeadas observando-se a distribuição da nuvem, oferecendo uma ferramenta indireta de estudo para futuras missões e exploração lunar.
Em resumo, a assimetria da nuvem não é apenas um fenômeno curioso: ela reflete a interação entre temperatura, impactos de micrometeoroides e propriedades físicas do regolito, fornecendo informações valiosas sobre a Lua e outros corpos rochosos do Sistema Solar.

