Novo remédio para colesterol reduz risco de primeiro infarto em até 31%

Evolocumabe protege o coração antes do problema. (Foto: Jittawit21 via Canva)
Evolocumabe protege o coração antes do problema. (Foto: Jittawit21 via Canva)

A medicina cardiovascular pode estar entrando em uma nova fase. Em vez de agir apenas após o surgimento de doenças, a ciência começa a focar cada vez mais na prevenção antecipada. Um exemplo disso é uma pesquisa recente que avaliou o uso de um medicamento potente para reduzir o colesterol em indivíduos que ainda não tinham diagnóstico de doença cardíaca.

Publicado no JAMA em 2026 e liderado por Nicholas A. Marston, o estudo analisou o impacto do evolocumabe na prevenção de eventos cardiovasculares em pacientes com diabetes de alto risco.

Por que o colesterol LDL é tão importante

O colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”, desempenha um papel central no desenvolvimento de doenças cardíacas. Quando elevado, ele favorece o acúmulo de placas nas artérias, processo conhecido como aterosclerose.

Tradicionalmente, tratamentos mais intensivos eram reservados para quem já tinha esse acúmulo. No entanto, o novo estudo sugere que agir antes pode ser ainda mais eficaz.

O evolocumabe, um inibidor da PCSK9, atua reduzindo significativamente os níveis de LDL, podendo chegar a reduções próximas de 60%, especialmente quando combinado com terapias padrão como estatinas.

O que a pesquisa revelou na prática

Controlar LDL pode evitar primeiro infarto. (Foto: Getty Images via Canva)
Controlar LDL pode evitar primeiro infarto. (Foto: Getty Images via Canva)

O estudo acompanhou 3.655 pacientes com diabetes de alto risco, mas sem diagnóstico de aterosclerose. Durante o período de análise, os participantes receberam evolocumabe ou placebo, além do tratamento convencional.

Os resultados foram expressivos:

  • Redução de cerca de 51% nos níveis de LDL após 48 semanas
  • 31% menor risco de primeiro evento cardiovascular grave
  • Menor incidência de infarto, AVC e morte cardíaca
  • Apenas 5% dos pacientes tratados tiveram eventos, contra 7,1% no grupo controle

Esses dados reforçam que o controle intensivo do colesterol pode ter impacto direto mesmo antes do aparecimento da doença.

Uma mudança de paradigma na cardiologia

Os achados indicam uma possível mudança na forma como a prevenção cardiovascular é encarada. Em vez de aguardar o aparecimento de sintomas, pode ser mais estratégico intervir precocemente em pessoas com elevado risco metabólico, como indivíduos com diabetes de longa data.

Isso é especialmente relevante porque as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo.

Além disso, o estudo sugere que:

  • A intervenção precoce pode evitar danos silenciosos nas artérias
  • O controle do LDL pode reduzir eventos futuros
  • Pacientes sem sintomas também podem se beneficiar de terapias avançadas

Segurança e próximos passos da ciência

Outro ponto importante é que o uso do evolocumabe foi considerado bem tolerado, com taxas semelhantes de efeitos adversos em comparação ao placebo.

Apesar dos resultados promissores, ainda são necessários novos estudos para entender se esses benefícios se aplicam a outros grupos de risco e como essa estratégia pode ser incorporada na prática clínica de forma ampla.

O futuro da prevenção cardiovascular

O estudo reforça uma tendência clara: a prevenção personalizada pode ser o caminho mais eficaz para reduzir doenças cardíacas.

Ao identificar e tratar fatores de risco antes que o problema se manifeste, a medicina avança para um modelo mais proativo, com potencial de salvar milhões de vidas.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn