Novo remédio oral inspirado nos medicamentos GLP-1 mostra resultados promissores contra diabetes

Tratamento oral pode facilitar o controle do diabetes tipo 2. (Imagem ilustrativa: Fala Ciência)

Uma nova geração de medicamentos que imita a ação do GLP-1 pode tornar o tratamento do diabetes tipo 2 mais conveniente. Em um estudo clínico de fase 3, um medicamento experimental administrado por via oral conseguiu controlar a glicemia de forma pelo menos comparável a outro tratamento amplamente utilizado, além de produzir redução do peso corporal.

A substância, chamada safigliprona, pertence a uma classe diferente dos tradicionais medicamentos injetáveis baseados em GLP-1. Por ser uma molécula pequena administrada por via oral, ela foi desenvolvida para ser utilizada sem necessidade de jejum ou restrições alimentares.

Os resultados chamaram atenção principalmente pela capacidade de reduzir a hemoglobina glicada, um dos principais indicadores usados para acompanhar o controle do diabetes.

Um comprimido que atua na mesma rota do GLP-1

O GLP-1 é um hormônio produzido naturalmente pelo organismo que participa do controle da glicose e da saciedade. Os medicamentos que ativam seu receptor podem ajudar o corpo a responder melhor às refeições e a controlar os níveis de açúcar no sangue.

A safigliprona atua justamente sobre o receptor de GLP-1, mas apresenta uma característica importante: sua administração é oral.

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Isso pode representar uma alternativa interessante para pessoas que têm dificuldade ou resistência ao uso de medicamentos injetáveis. No entanto, o fato de ser comprimido não significa automaticamente que seja mais adequado para todos os pacientes.

Resultado surpreendente apareceu na hemoglobina glicada

Safigliprona supera Dapagliflozina em eficácia no controle glicêmico. (Imagem ilustrativa: Fala Ciência)

O estudo OUTSTAND-2 envolveu 810 adultos com diabetes tipo 2 que apresentavam controle inadequado da doença mesmo utilizando metformina.

Os participantes receberam diferentes doses de safigliprona ou dapagliflozina, outro medicamento utilizado no tratamento do diabetes tipo 2.

Depois de 32 semanas, todas as três doses avaliadas da safigliprona demonstraram não inferioridade em relação à dapagliflozina para a redução da hemoglobina glicada.

Na dose de 90 mg, o resultado também atingiu o critério estatístico previamente definido para superioridade em uma das análises.

Outro dado chamou atenção: entre os participantes que receberam safigliprona, 54,9% a 63,5% atingiram HbA1c abaixo de 7%, contra 36,5% no grupo da dapagliflozina.

O peso também caiu durante o tratamento

Além do controle glicêmico, houve redução do peso corporal nos grupos avaliados.

As reduções médias foram de:

  • 2,35% com 30 mg de safigliprona
  • 3,55% com 60 mg
  • 4,17% com 90 mg
  • 3,60% com dapagliflozina

Também foram observadas melhorias em medidas como circunferência da cintura, resistência à insulina e função das células beta pancreáticas.

Por outro lado, os efeitos adversos precisam ser considerados. Problemas gastrointestinais foram mais frequentes entre os participantes que receberam safigliprona, embora a maioria tenha apresentado intensidade leve ou moderada.

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A evidência veio de um estudo de fase 3

Os resultados foram publicados em 5 de outubro de 2026 na revista científica Nature Medicine. O estudo teve como primeiro autor Lixin Guo e foi realizado em 98 centros na China.

O ensaio foi randomizado, duplo-cego e controlado por comparador ativo, características importantes para avaliar a eficácia e a segurança de um medicamento experimental.

Um dos pontos mais interessantes da pesquisa é a possibilidade de combinar duas características desejadas no tratamento do diabetes tipo 2: controle da glicemia e administração oral.

Ainda assim, a safigliprona é uma opção investigacional no contexto deste estudo e seus resultados não significam que ela já deva substituir tratamentos disponíveis. São necessários acompanhamento e avaliação regulatória para determinar seu papel na prática clínica.

A ciência continua avançando na busca por tratamentos mais eficazes e acessíveis para doenças como o diabetes. No Fala Ciência, você pode acompanhar outras descobertas e pesquisas que ajudam a entender melhor os avanços na saúde e na medicina.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica e editora de saúde do Portal Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação na internet, garantindo que o conteúdo seja sempre baseado em rigor técnico, empatia e evidências científicas de qualidade. Ver perfil no LinkedIn