Novo medicamento aprovado no Brasil pode reduzir crises graves de epilepsia

Novo remédio pode reduzir crises de epilepsia resistente. (Foto: Getty Images via Canva)
Novo remédio pode reduzir crises de epilepsia resistente. (Foto: Getty Images via Canva)

Um novo avanço no tratamento da epilepsia acaba de ser autorizado no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento cenobamato, comercializado como Xcopri, indicado para adultos que sofrem com epilepsia farmacorresistente.

Esse tipo de epilepsia ocorre quando as crises continuam acontecendo mesmo após o uso de diferentes medicamentos. Estima-se que cerca de 30% das pessoas com epilepsia enfrentem essa dificuldade no controle da doença.

A chegada de uma nova opção terapêutica é considerada importante porque amplia as alternativas para pacientes que ainda não conseguem manter a condição sob controle.

O desafio da epilepsia que não responde aos tratamentos

A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por descargas elétricas anormais no cérebro, capazes de provocar crises que podem durar segundos ou minutos.

Os episódios podem surgir de formas diferentes. Em alguns casos, elas ficam restritas a uma região específica do cérebro, sendo chamadas de crises focais. Em outras situações, podem se espalhar e afetar os dois hemisférios cerebrais.

Entre os principais sinais estão:

• movimentos involuntários do corpo
• alterações de consciência
• confusão mental temporária
• sensações incomuns conhecidas como aura

Embora muitos pacientes consigam controlar as crises com medicamentos tradicionais, uma parcela significativa continua apresentando episódios frequentes. Essa situação é conhecida como epilepsia farmacorresistente, considerada uma das maiores dificuldades no tratamento da doença.

Como o novo medicamento atua no cérebro

Medicamento atua nas sinapses que controlam sinais cerebrais. (Foto: Getty Images via Canva)
Medicamento atua nas sinapses que controlam sinais cerebrais. (Foto: Getty Images via Canva)

O cenobamato atua modulando a atividade elétrica dos neurônios, ajudando a estabilizar os sinais do cérebro e reduzir a ocorrência de crises epilépticas.

Estudos clínicos indicam que o medicamento pode proporcionar redução significativa na frequência das crises em pacientes que não responderam adequadamente a outros tratamentos.

Uma pesquisa publicada na revista científica Epilepsia demonstrou que o tratamento com cenobamato levou a redução de pelo menos 50% das crises em mais de 70% dos pacientes avaliados. Além disso, cerca de 40% apresentaram redução superior a 90% dos episódios, e uma parcela dos participantes chegou a ficar completamente livre de crises durante o tratamento.

Esses resultados sugerem que o medicamento pode representar uma alternativa relevante para pacientes com epilepsia de difícil controle.

Quando o medicamento poderá chegar aos pacientes

Apesar da aprovação regulatória, o medicamento ainda precisa passar por algumas etapas antes de chegar às farmácias.

Primeiro, será necessário que a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) defina o preço máximo de comercialização.

Além disso, para que o tratamento seja disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), será necessária uma avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Essa análise determina se a tecnologia deve ou não ser incorporada ao sistema público de saúde.

Conscientização sobre epilepsia ganha destaque em março

A autorização do medicamento acontece durante o Março Roxo, mês voltado à conscientização e à divulgação de informações sobre a epilepsia.

A iniciativa também engloba o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, lembrado em 26 de março, e tem como objetivo ampliar o conhecimento da população sobre a doença, além de reduzir o preconceito e a desinformação que ainda cercam quem convive com o diagnóstico.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 65 milhões de pessoas vivem com epilepsia no mundo. No Brasil, estima-se que mais de 2 milhões de indivíduos convivam com a doença.

Avanços no tratamento, como a aprovação de novos medicamentos, são considerados fundamentais para melhorar a qualidade de vida desses pacientes e ampliar as possibilidades de controle das crises.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn