A cada novo cometa descoberto, a astronomia ganha uma oportunidade única de observar relíquias intactas da formação do Sistema Solar. Em 2026, o protagonista desse cenário é o C/2026 A1 (MAPS), um objeto que já nasce cercado de expectativas por fazer parte de um grupo extremo: os cometas sungrazers, conhecidos por passarem perigosamente próximos do Sol.
Logo de início, o que mais chama atenção é a trajetória quase suicida do cometa, que o levará a apenas centenas de milhares de quilômetros da superfície solar. Além disso, ele foi detectado ainda muito distante, algo incomum para objetos desse tipo, o que sugere um núcleo maior e potencial de brilho acima da média. Alguns fatores tornam o C/2026 A1 particularmente interessante do ponto de vista científico:
- Primeiro cometa oficialmente descoberto em 2026;
- Pertence à família Kreutz, famosa por objetos que frequentemente se desintegram;
- Apresenta tamanho estimado de até 2,4 km, considerado grande para esse grupo;
- Já exibe coma esverdeada, indicando liberação precoce de gases voláteis.
Além disso, o cometa foi identificado quando ainda estava a cerca de 2 unidades astronômicas do Sol, distância equivalente ao dobro da separação entre a Terra e a estrela. Isso é raro entre os Kreutz e reforça a hipótese de que se trata de um objeto mais robusto.
Uma cápsula do tempo em rota de colisão térmica
Do ponto de vista físico, cometas são verdadeiros arquivos naturais da infância do Sistema Solar. Eles preservam gelo, poeira e compostos orgânicos formados há mais de 4,5 bilhões de anos. Por isso, cada aproximação extrema permite testar como esses materiais reagem a condições severas de calor, radiação e forças gravitacionais.

No caso do C/2026 A1, o aquecimento progressivo já provoca emissões de carbono diatômico (C2), responsável pela tonalidade verde observada nas imagens iniciais. Conforme se aproxima do Sol, espera-se que a atividade aumente, liberando jatos de gás e poeira que podem formar uma cauda com milhões de quilômetros.
O que pode acontecer quando o cometa atingir o ponto mais próximo do Sol?
O grande dilema agora é saber se o cometa irá sobreviver ao periélio. A experiência com outros objetos similares mostra dois cenários possíveis: alguns resistem e se tornam visíveis até durante o dia; outros simplesmente se fragmentam e desaparecem em poucas horas.
Se o núcleo for suficientemente compacto, o C/2026 A1 pode se transformar em um dos cometas mais brilhantes da década. Caso contrário, servirá como mais um exemplo de como o Sol atua como um filtro natural, destruindo visitantes frágeis vindos das regiões externas do Sistema Solar.
Independentemente do desfecho, o evento representa uma oportunidade valiosa para compreender processos físicos extremos, desde a sublimação de gelo até a dinâmica de fragmentação de corpos primitivos.

