Um recente estudo arqueológico no Reino Unido revelou que o fogo era controlado por seres humanos primitivos muito antes do surgimento do Homo sapiens. Publicada na revista Nature, a pesquisa descreve uma fogueira com aproximadamente 400 mil anos, indicando que nossos ancestrais não apenas produziam chamas, mas sabiam como mantê-las e utilizá-las de maneira estratégica para suas necessidades diárias. O sítio arqueológico de Barnham, em Suffolk, apresentou evidências claras do uso proposital do fogo:
- Solo aquecido repetidamente a mais de 700ºC, sugerindo uso contínuo;
- Fragmentos de pirita, mineral capaz de gerar faíscas ao ser colidido com sílex, indicando acendimento intencional;
- Sinais de cozimento e manipulação de alimentos, descartando incêndios naturais.
Esses achados confirmam que neandertais primitivos já possuíam técnicas avançadas de controle do fogo, desafiando a ideia de que apenas o Homo sapiens era capaz de tal façanha.
A importância do fogo na vida dos neandertais

O fogo não se limitava a aquecer ou iluminar: ele transformava a vida de quem o dominava. Entre seus benefícios estavam:
- Cozinhar alimentos, aumentando a digestibilidade e valor nutricional;
- Proteger contra predadores e criar áreas seguras para o convívio social;
- Permitir aquecimento em climas frios, ampliando a sobrevivência em regiões adversas.
Controlar o fogo exigia planejamento e conhecimento dos materiais, o que evidencia habilidades cognitivas avançadas em neandertais. Embora fósseis queimados na África sugerissem uso de fogo natural há mais de um milhão de anos, Barnham é a primeira evidência concreta de fogo proposital e mantido.
Este achado mostra que os Homo sapiens não foram os primeiros a dominar o fogo. Os neandertais criavam fogueiras há 400 mil anos, demonstrando capacidade de inovação e inteligência avançada. A descoberta antecipa em centenas de milhares de anos a cronologia anteriormente conhecida e abre novas perspectivas sobre a evolução humana e a complexidade social de nossos ancestrais.

