Musk quer levar data centers ao espaço com 1 milhão de satélites solares

Musk quer usar satélites solares para alimentar a inteligência artificial (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)
Musk quer usar satélites solares para alimentar a inteligência artificial (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)

A expansão acelerada da inteligência artificial está criando um novo desafio global: como alimentar energeticamente os gigantescos data centers responsáveis por treinar e operar esses sistemas. À medida que modelos se tornam mais complexos e consumidores de energia, cresce também a pressão sobre redes elétricas, fontes renováveis e políticas climáticas.

Nesse cenário, surge uma proposta que parece saída da ficção científica: utilizar satélites em órbita como fontes diretas de energia solar para sustentar centros de dados dedicados à IA. A ideia é simples no conceito, mas monumental na escala: uma constelação de até 1 milhão de satélites captando energia do Sol quase de forma contínua, longe das limitações atmosféricas da Terra. Alguns objetivos centrais desse projeto se destacam:

  • Reduzir a dependência de combustíveis fósseis;
  • Explorar a energia solar constante no espaço;
  • Diminuir custos de manutenção de infraestruturas terrestres;
  • Sustentar o crescimento da computação de alto desempenho.

Uma nova fronteira energética fora da Terra

Diferente dos painéis solares convencionais, que sofrem com nuvens, ciclos de dia e noite e variações climáticas, os satélites em órbita teriam acesso a uma fonte quase ininterrupta de radiação solar. Isso permitiria taxas de geração muito mais estáveis, um fator crítico para sistemas de IA que exigem funcionamento contínuo.

Além disso, a proposta prevê a evolução do foguete Starship, que viabilizaria o lançamento em massa desses satélites com custos operacionais reduzidos. Na prática, seria uma transição de data centers tradicionais para infraestruturas digitais em ambiente espacial.

Do ponto de vista ambiental, o impacto é relevante. Data centers já representam uma fatia crescente das emissões globais de carbono, principalmente quando alimentados por matrizes elétricas poluentes. Levar parte desse processamento para o espaço poderia, em teoria, desacoplar IA e crise climática.

IA, fusões estratégicas e domínio tecnológico

Outro aspecto central envolve a integração entre empresas voltadas à exploração espacial e ao desenvolvimento de modelos avançados de IA. A convergência entre essas áreas cria um ecossistema no qual energia, computação e dados passam a ser tratados como um único sistema tecnológico.

Embora o número de um milhão de satélites seja provavelmente um teto estratégico, a proposta revela uma tendência clara: o futuro da IA pode não estar apenas em novos algoritmos, mas em novas infraestruturas físicas, incluindo órbitas terrestres e redes solares espaciais.Em termos científicos, trata-se de um movimento que redefine o conceito de sustentabilidade digital. Se viável, a computação espacial pode inaugurar uma era em que a limitação energética deixa de ser o principal gargalo da inteligência artificial.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.