Mudanças climáticas afetam árvores da Amazônia e Andes de maneira surpreendente

Amazônia e Andes mudam com o clima: espécies se perdem e surgem (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Amazônia e Andes mudam com o clima: espécies se perdem e surgem (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

Pesquisadores da Universidade de Liverpool publicaram um estudo na Nature Ecology and Evolution mostrando que a Amazônia e os Andes estão passando por mudanças significativas na diversidade de árvores, impulsionadas pelas alterações climáticas. Ao longo de quatro décadas, mais de 400 parcelas florestais em dez países da América do Sul foram monitoradas, oferecendo um panorama sem precedentes sobre como as florestas tropicais estão respondendo ao aumento das temperaturas e às mudanças nos padrões de chuva.

De forma geral, a riqueza total de espécies parece estável. No entanto, essa estabilidade oculta diferenças regionais marcantes, mostrando que algumas florestas estão perdendo árvores, enquanto outras ganham. Esses contrastes revelam que o impacto das mudanças climáticas não é uniforme, mas altamente dependente das condições locais.

Mudanças nas florestas tropicais mostram perdas e ganhos de espécies

O estudo revelou padrões distintos de perda e ganho de espécies nas florestas tropicais. Florestas localizadas em regiões mais quentes e secas apresentam declínios constantes na diversidade arbórea, enquanto áreas com ecossistemas mais saudáveis e dinâmicos registram crescimento no número de espécies. 

Florestas tropicais mostram transformações regionais após 40 anos (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Florestas tropicais mostram transformações regionais após 40 anos (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

As perdas mais significativas foram observadas nos Andes Centrais, no Escudo das Guianas e na Amazônia Centro-Oriental, ao passo que os Andes Setentrionais e a Amazônia Ocidental se destacaram como regiões de aumento de espécies. Além do aumento das temperaturas, os níveis de precipitação e os padrões sazonais de chuva se mostraram determinantes na manutenção ou perda das espécies, evidenciando a complexidade do impacto climático sobre a biodiversidade.

  • Florestas quentes e secas sofrem declínio de espécies;
  • Ecossistemas saudáveis e dinâmicos apresentam aumento de espécies;
  • Maiores perdas: Andes Centrais, Escudo das Guianas e Amazônia Centro-Oriental;
  • Ganhos de espécies: Andes Setentrionais e Amazônia Ocidental.

Andes do Norte emergem como refúgio climático para espécies ameaçadas

Uma das descobertas mais relevantes indica que os Andes do Norte podem servir como refúgio climático, oferecendo condições mais estáveis para espécies que estão perdendo habitat em outras regiões. Esse fenômeno evidencia a importância de estratégias de conservação específicas, capazes de considerar tanto a vulnerabilidade quanto o potencial de recuperação dos diferentes ecossistemas. 

À medida que as espécies vegetais enfrentam temperaturas mais altas e variações climáticas extremas, sua capacidade de adaptação se torna limitada. As plantas podem deslocar-se para áreas com condições mais favoráveis, adaptar-se lentamente a novos ambientes ou sofrer declínio populacional, aumentando o risco de extinção. 

O estudo reforça a necessidade de monitoramento contínuo, preservação das florestas remanescentes e ações integradas que combinem a conservação da biodiversidade com a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.