Mpox pode trazer de volta o uso de máscaras ao Brasil ?

Contato direto é principal forma de contágio. (Foto: Pexels via Canva)
Contato direto é principal forma de contágio. (Foto: Pexels via Canva)

O aumento recente de casos de mpox no Brasil reacendeu uma preocupação que marcou profundamente os últimos anos: será necessário retomar o uso obrigatório de máscaras? A dúvida é compreensível, especialmente após a experiência da pandemia de covid 19. No entanto, apesar da atenção redobrada das autoridades sanitárias, o cenário atual é distinto.

A mpox, anteriormente chamada de varíola dos macacos, apresenta dinâmica de transmissão diferente da covid 19. Por isso, especialistas indicam que, neste momento, não há recomendação de uso de máscaras para a população em geral.

Entendendo a forma de transmissão

A principal via de disseminação da mpox é o contato direto com a pele, sobretudo quando há lesões ativas. O vírus pode passar de uma pessoa para outra por meio de:

  • Contato com erupções ou feridas cutâneas
  • Exposição a fluidos corporais
  • Beijos ou contato com lesões na cavidade oral
  • Manipulação de objetos contaminados recentemente

Embora exista possibilidade de transmissão por gotículas respiratórias, esse mecanismo é considerado menos frequente e geralmente depende de contato prolongado e próximo.

Esse padrão explica por que o uso universal de máscaras não é, neste momento, considerado uma medida essencial de controle comunitário.

Quando a máscara pode ser útil?

Apesar de não haver indicação ampla, existem situações específicas em que a proteção facial pode ser recomendada. Entre elas:

  • Atendimento de pacientes suspeitos ou confirmados
  • Convivência próxima com pessoa infectada
  • Ambientes de risco com exposição a secreções

Nesses casos, a máscara atua como barreira complementar. Ainda assim, medidas como isolamento temporário, higiene rigorosa das mãos e cuidado com objetos pessoais continuam sendo fundamentais.

Sintomas que exigem atenção imediata

Reconhecer os sinais da doença é um passo importante para conter a transmissão. Os sintomas mais relatados incluem:

  • Lesões ou erupções na pele
  • Inchaço de linfonodos
  • Febre
  • Dor muscular
  • Dor de cabeça
  • Calafrios
  • Cansaço intenso

Diante desses sintomas, especialmente após contato próximo com alguém infectado, a recomendação é procurar avaliação médica e evitar contato físico até esclarecimento do diagnóstico.

Cuidados domésticos fazem diferença

Quando há suspeita ou confirmação de mpox, o isolamento domiciliar é indicado até a resolução das lesões. Além disso, algumas medidas simples reduzem o risco de transmissão:

  • Não compartilhar roupas, toalhas ou lençóis
  • Evitar dividir talheres e copos
  • Manter superfícies higienizadas
  • Cobrir lesões expostas

Essas estratégias são eficazes para conter a disseminação sem necessidade de restrições amplas à população.

Informação é a principal ferramenta

Embora o número de casos esteja sendo monitorado, o contexto epidemiológico atual não aponta para medidas coletivas semelhantes às adotadas na pandemia de covid 19. A mpox tem padrão de transmissão mais restrito, o que permite ações direcionadas em vez de intervenções generalizadas.

Assim, a resposta à pergunta sobre o retorno obrigatório das máscaras é, neste momento, negativa. O foco permanece em diagnóstico precoce, orientação adequada e prevenção baseada em evidências, evitando tanto o pânico quanto a desinformação.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn