Molécula do envelhecimento revela como frear Alzheimer e Parkinson naturalmente

Molécula do envelhecimento mantém neurônios saudáveis. (Foto: Getty Images via Canva)
Molécula do envelhecimento mantém neurônios saudáveis. (Foto: Getty Images via Canva)

O envelhecimento é inevitável, mas a ciência está descobrindo maneiras de proteger o cérebro e retardar doenças neurodegenerativas. Uma das descobertas mais promissoras envolve a molécula NAD+ (nicotinamida adenina dinucleotídeo), considerada a molécula do envelhecimento

Pesquisadores da Universidade de Oslo (UiO) e do Hospital Universitário de Akershus (Ahus) reuniram especialistas internacionais para publicar uma revisão na revista Nature Aging (Zhang et al., 2025), mostrando como o NAD+ pode frear Alzheimer e Parkinson naturalmente.

Por que o NAD+ é essencial para a saúde cerebral?

O NAD+ é fundamental para várias funções celulares que influenciam diretamente o envelhecimento e a saúde do cérebro:

  • Produção de energia: mantém as células ativas e funcionais
  • Reparo do DNA: corrige danos que, se acumulados, aceleram o envelhecimento
  • Regulação metabólica: reduz inflamação e melhora o metabolismo
  • Proteção neuronal: ajuda a prevenir perda de memória e declínio cognitivo

Com o avanço da idade, os níveis de NAD+ naturalmente caem, contribuindo para declínio cognitivo, perda de força muscular e maior risco de doenças como Alzheimer e Parkinson.

Estratégias para aumentar NAD+ de forma natural

NAD+ natural: peixes e carnes magras são aliados. (Foto: TrueCreatives via Canva)
NAD+ natural: peixes e carnes magras são aliados. (Foto: TrueCreatives via Canva)

Pesquisas recentes exploram diversas maneiras de elevar os níveis de NAD+ no organismo, combinando precursores específicos, nutrientes essenciais e hábitos de vida saudáveis. Entre os precursores de NAD+ mais estudados estão:

  • Nicotinamida ribosídeo (NR): suplemento que aumenta os níveis de NAD+ de forma eficaz, já testado em ensaios clínicos
  • Mononucleotídeo de nicotinamida (NMN): outro precursor promissor, que o corpo converte rapidamente em NAD+
  • Niacina (vitamina B3): presente em alimentos como carnes magras, peixes, ovos, amendoim e leguminosas, que fornece a base para a síntese natural de NAD+

Além dos suplementos e nutrientes, hábitos de vida também influenciam diretamente os níveis de NAD+:

  • Exercícios físicos regulares, que estimulam a atividade mitocondrial e produção de energia
  • Jejum intermitente ou restrição calórica moderada, associados à preservação de NAD+
  • Sono de qualidade, essencial para manutenção celular e reparo do DNA

Ensaios clínicos iniciais sugerem que essas estratégias podem:

  • Melhorar memória, atenção e funções cognitivas
  • Aumentar mobilidade, resistência física e vitalidade
  • Apoiar a saúde metabólica e cardiovascular, prevenindo danos celulares

Apesar dos resultados promissores, os cientistas reforçam a necessidade de estudos maiores e de longo prazo, incluindo diferentes faixas etárias e condições de saúde, para confirmar a eficácia e a segurança dessas abordagens em larga escala.

Ciência e interesse público se unem em torno do NAD+

A revisão publicada na Nature Aging surge em um momento de grande interesse global, tanto da comunidade científica quanto do público em geral. Além de ensaios clínicos em andamento, o NAD+ já entrou no mercado de suplementos, o que gera debates sobre:

  • Quais formas funcionam melhor
  • Como dosar corretamente
  • Se os resultados observados em estudos com animais se aplicam aos humanos

A colaboração internacional e testes clínicos rigorosos são essenciais para transformar essas descobertas em tratamentos seguros e eficazes para o envelhecimento e doenças neurológicas.

O futuro da molécula do envelhecimento

O NAD+ representa uma das frentes mais promissoras da medicina preventiva, oferecendo potencial para retardar o envelhecimento e proteger o cérebro naturalmente. Com pesquisa contínua e orientação científica, estratégias baseadas em NAD+ podem integrar programas de longevidade, combinando suplementação, estilo de vida saudável e acompanhamento médico.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn