Missão espacial criará eclipses artificiais para desvendar segredos do Sol

Eclipse artificial no espaço permitirá observar a coroa solar detalhada (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Eclipse artificial no espaço permitirá observar a coroa solar detalhada (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

O clima espacial, causado por tempestades solares, pode interromper sistemas essenciais na Terra, desde redes elétricas até satélites e GPS. Eventos extremos, como a Ejeção de Massa Coronal (EMC), lançam plasma quente e campos magnéticos em direção ao planeta, gerando impactos financeiros e tecnológicos consideráveis. Por exemplo, uma tempestade em 1989 deixou parte do Canadá sem energia por horas, enquanto eventos mais recentes em 2024 afetaram satélites e custaram centenas de milhões de dólares aos agricultores dos EUA.

Para estudar esses fenômenos de forma mais eficiente, uma equipe internacional propõe a missão Mesom (Missão de Ocultação Solar com Auxílio da Lua), capaz de criar eclipses solares artificiais no espaço. Com isso, será possível observar a coroa solar, camada externa da atmosfera do Sol, sem a interferência da luz intensa da superfície visível.

Estudar a coroa solar é crucial para proteger a Terra e entender o Sol

Observar a coroa solar é essencial para compreender diversos fenômenos que afetam tanto o Sol quanto a Terra. O estudo detalhado dessa camada da atmosfera solar permite entender como o plasma quente é confinado e liberado pelos campos magnéticos, além de melhorar a previsão de eventos de clima espacial que podem ameaçar sistemas tecnológicos e infraestrutura no nosso planeta. 

A análise da coroa também possibilita investigar a estrutura da atmosfera solar em alta resolução, sem as distorções causadas pela atmosfera terrestre. Como os eclipses solares naturais são raros e de curta duração, durando apenas alguns minutos, e as observações feitas da Terra sofrem degradações por condições climáticas, torna-se necessário utilizar ocultadores artificiais ou naturais, como a Lua, para obter dados mais precisos.

  • Compreender como o plasma solar é confinado e liberado pelos campos magnéticos;
  • Melhorar a previsão de eventos de clima espacial que ameaçam a Terra;
  • Estudar a estrutura da atmosfera solar em alta resolução, sem distorções;
  • Utilizar ocultadores artificiais ou naturais para observações prolongadas.

Mesom: tecnologia e inovação espacial

O conceito da missão envolve posicionar um minissatélite de forma precisa na sombra da Lua, permitindo observações prolongadas da coroa solar e da cromosfera. Com janelas de coleta de dados de até 48 minutos, muito superiores à duração dos eclipses solares naturais, a missão promete retornar aproximadamente 400 minutos de observações de alta resolução ao longo de dois anos. 

Essa abordagem possibilitará estudar fenômenos solares complexos, como erupções e ejeções de massa coronal, de maneira contínua e detalhada, algo atualmente impossível com telescópios terrestres ou missões espaciais existentes.

A missão Mesom promete revolucionar a astrofísica solar, oferecendo insights críticos para proteger satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação. Além disso, pode ajudar a desvendar mistérios fundamentais sobre o comportamento da atmosfera solar, incluindo a dinâmica do plasma e o papel dos campos magnéticos em sua instabilidade.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.