Os microplásticos não ficam apenas na superfície dos oceanos; eles estão circulando silenciosamente pelo ecossistema marinho graças ao zooplâncton, especialmente os copépodes. Um estudo recente publicado no Journal of Hazardous Materials revelou como esses pequenos animais, aparentemente inofensivos, podem transportar centenas de partículas de plástico por metro cúbico de água todos os dias.
O impacto desse processo é profundo: os copépodes, que dominam quase todas as regiões oceânicas, podem redistribuir plásticos de forma contínua, influenciando desde o carbono afundado até a exposição de peixes e outros predadores. Entender esses fluxos é essencial para prever os efeitos a longo prazo da poluição plástica nos oceanos.
Como o zooplâncton movimenta microplásticos?

A pesquisa utilizou visualização em tempo real para rastrear partículas de plástico ingeridas por copépodes da espécie Calanus helgolandicus, comuns no Atlântico Norte, permitindo estimar com precisão a quantidade de plástico processada por cada indivíduo diariamente. Entre os principais achados:
- Tempo de trânsito intestinal: cerca de 40 minutos, consistente entre diferentes tipos de plástico;
- Intervalo de ingestão: frequência com que novas partículas são consumidas;
- Tipos de microplásticos testados: esferas de poliestireno fluorescentes, fibras de poliamida (nylon) e fragmentos de poliamida (nylon);
- Destino dos microplásticos: as fezes dos copépodes têm flutuabilidade negativa, afundando e transportando o plástico para camadas profundas do oceano.
Implicações para a cadeia alimentar marinha

O transporte de microplásticos pelo zooplâncton impacta diferentes níveis da cadeia alimentar marinha. Larvas de peixes e pequenos peixes pelágicos, por exemplo, consomem copépodes contendo plástico, iniciando assim a transferência dessas partículas para predadores superiores. O acúmulo crônico desses microplásticos pode influenciar a saúde, o comportamento e o balanço energético das espécies marinhas ao longo do tempo.
Além disso, o movimento das partículas contribui para a redistribuição simultânea de carbono e microplásticos nos sedimentos oceânicos. Esses dados também são essenciais para modelos computacionais, permitindo simular com mais precisão onde os microplásticos se acumulam e identificar quais espécies estão mais expostas a essa poluição.
A integração de medições reais de ingestão e trânsito intestinal em modelos oceânicos pode auxiliar cientistas e formuladores de políticas a identificar pontos críticos de poluição e estratégias de mitigação. O estudo destaca que o zooplâncton funciona como uma mini bomba biológica, constantemente movendo microplásticos e influenciando a saúde dos oceanos de maneira silenciosa, porém significativa.

