As árvores sempre foram vistas como protagonistas no combate às mudanças climáticas por sua capacidade de absorver dióxido de carbono (CO₂). No entanto, novas evidências científicas revelam que elas contam com aliados invisíveis que ampliam ainda mais esse papel. Trilhões de micróbios que vivem na casca das árvores atuam silenciosamente como filtros naturais, removendo gases tóxicos e de efeito estufa diretamente da atmosfera.
Essa descoberta amplia a compreensão sobre o funcionamento das florestas e foi detalhada em um estudo publicado na revista Science, conduzido por pesquisadores da Universidade Monash e da Universidade Southern Cross. A pesquisa mostra que a casca das árvores não é apenas uma proteção física, mas um verdadeiro ecossistema ativo, com impacto direto na qualidade do ar e no equilíbrio climático. Vale destacar alguns pontos essenciais para entender a importância desse processo oculto,:
- A casca abriga comunidades microbianas altamente especializadas;
- Esses micróbios consomem gases nocivos à saúde e ao clima;
- O processo ocorre continuamente, dia e noite;
- O impacto se multiplica em escala global.
Um “continente” vivo que respira o clima
Quando somada a superfície de todas as árvores do planeta, a área total da casca equivale aproximadamente à extensão dos sete continentes juntos. Isso significa que esse vasto “continente biológico” atua como um enorme sistema de purificação atmosférica. Os micróbios consomem substâncias como metano, hidrogênio, monóxido de carbono e compostos voláteis, muitos deles associados ao aquecimento global e à poluição urbana.

Além disso, parte desses gases se origina no interior dos próprios troncos, sendo reaproveitada antes de alcançar a atmosfera. Dessa forma, os microrganismos da casca potencializam os benefícios ambientais das árvores, indo muito além da fotossíntese tradicionalmente conhecida.
Impactos para o clima e a saúde humana
As implicações dessa descoberta são amplas. O consumo microbiano de monóxido de carbono, por exemplo, não apenas reduz um gás de efeito estufa, mas também um poluente tóxico associado a problemas respiratórios e cardiovasculares. Isso reforça o papel das árvores como aliadas da saúde pública, especialmente em áreas urbanas.
Outro ponto relevante é que diferentes espécies arbóreas hospedam comunidades microbianas distintas, com capacidades variadas de remoção de gases. Esse conhecimento pode orientar estratégias mais eficazes de reflorestamento, arborização urbana e restauração de ecossistemas.
Portanto, a casca das árvores deixa de ser apenas um detalhe anatômico e passa a ser reconhecida como uma peça-chave no funcionamento do sistema climático terrestre. Ao integrar plantas e microrganismos, a natureza revela soluções sofisticadas e ainda pouco exploradas para enfrentar os desafios ambientais do presente e do futuro.

