Quando pensamos em Marte, a imagem que vem à mente é a de um planeta árido, com desertos e cânions profundos. No entanto, novas pesquisas indicam que este mundo seco e vermelho pode ter sido radicalmente diferente há bilhões de anos. Um estudo geológico recente, publicado na npj Space Exploration, fornece evidências de que Marte já abrigou um vasto oceano que cobriu parte significativa do hemisfério norte.
A análise concentrou-se no complexo sistema de cânions Valles Marineris, especialmente na região de Coprates Chasma, onde depósitos geológicos chamados de Depósitos Frontais de Escarpa (SFDs) revelam sinais de antigas linhas costeiras. Estes depósitos estão alinhados horizontalmente entre -3.750 e -3.650 metros, sugerindo um nível de água constante e estável, característica típica de grandes corpos d’água.
- O oceano marciano teria se estendido por toda a região norte;
- A profundidade estimada nas áreas de cânion alcançaria até 1 km;
- A metodologia aplicada foi baseada em sedimentologia, similar à usada em estudos terrestres.
Esses indícios reforçam a hipótese de que Marte já foi um planeta azul, com águas superficiais abundantes que poderiam ter sustentado ambientes favoráveis à vida primitiva. Além disso, a investigação da composição mineralógica desses depósitos continuará com dados obtidos pelas sondas ExoMars Trace Gas Orbiter (ESA), Mars Express (ESA) e Mars Reconnaissance Orbiter (NASA).
Como Marte perdeu seus oceanos e se tornou desértico?

A transição de um mundo aquático para um deserto marciano levanta questões sobre a fugacidade dos recursos hídricos em escalas planetárias. Entender os processos de erosão, sedimentação e perda de água ajudará a reconstruir a história climática de Marte e a avaliar a possibilidade de vida antiga.
A descoberta também ressalta o valor da comparação entre Marte e Terra, permitindo aplicar conceitos terrestres em estudos planetários e abrindo novas perspectivas para futuras missões de exploração. Embora a recente suspensão da missão de retorno de amostras pelos EUA represente um desafio, a busca por respostas sobre o passado aquático de Marte permanece mais viva do que nunca.

