Mapa surpreendente mostra montanhas e vales ocultos sob o gelo antártico

Novo mapa revela colinas e vales ocultos sob o gelo da Antártida (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Novo mapa revela colinas e vales ocultos sob o gelo da Antártida (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

Um novo mapa de alta resolução da Antártida oferece a visão mais detalhada do continente oculto sob até cinco quilômetros de gelo. Desenvolvido por uma equipe internacional de pesquisadores, o estudo publicado na revista Science (Helen Ockenden et al., 15 Jan 2026, DOI: 10.1126/science.ady2532) combina dados de satélite com modelos físicos do fluxo do gelo, permitindo entender melhor o relevo subglacial e seus impactos climáticos.

Antes desta pesquisa, o conhecimento sobre o leito rochoso da Antártida era fragmentado, limitado a medições esparsas de radar. Agora, com o método inovador, cientistas conseguiram criar um mapa contínuo e detalhado, revelando formações geológicas anteriormente invisíveis. Principais descobertas do mapa:

  • Dezenas de milhares de colinas, cristas e vales subglaciais identificados;
  • Um imenso canal na Bacia Subglacial de Maud, com 400 km de extensão e 6 km de largura;
  • Lacunas de dados preenchidas, permitindo análises mais precisas do fluxo das geleiras.

Como o relevo influencia o degelo?

O mapa vai além da simples cartografia, pois as montanhas e vales subglaciais determinam a velocidade e a direção do gelo, sendo essenciais para compreender como as geleiras podem se comportar diante do aquecimento global. 

Antártida subglacial: relevo detalhado ajuda a prever degelo futuro (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Antártida subglacial: relevo detalhado ajuda a prever degelo futuro (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

Com isso, a topografia detalhada se torna uma ferramenta crucial para refinar modelos climáticos sobre o degelo, estimar a contribuição da Antártida para a elevação dos oceanos e monitorar regiões vulneráveis que podem acelerar o recuo das geleiras.

Uma revolução na ciência polar

A abordagem inovadora se baseia na ideia de que o movimento do gelo reflete o relevo subjacente, semelhante a como pequenas pedras criam redemoinhos em um rio. Essa técnica proporciona uma resolução comparável à fotografia digital moderna, substituindo a visão granulada oferecida por métodos anteriores.

Como resultado, cientistas agora dispõem de um mapa transformador, capaz de guiar futuras pesquisas sobre mudanças climáticas e fornecer previsões mais confiáveis sobre o futuro dos oceanos e do clima global.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.