Um novo caso clínico voltou a chamar a atenção da comunidade científica ao indicar resposta neurológica após uma lesão medular considerada completa. Um jovem de 24 anos, que ficou tetraplégico depois de um acidente em uma cachoeira no Espírito Santo, apresentou retorno de movimentos nos braços e recuperação parcial da sensibilidade poucos dias após receber polilaminina, uma substância experimental brasileira que vem ganhando destaque na área da saúde.
Este é o quinto paciente a demonstrar melhora funcional após o uso do composto, fortalecendo as evidências clínicas observadas até agora e ampliando o interesse médico pelo tratamento.
Pesquisa brasileira liderada pela UFRJ
A polilaminina é resultado de mais de 20 anos de pesquisa científica conduzida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo é liderado pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, responsável por coordenar as investigações sobre o papel da laminina na regeneração do sistema nervoso.
O desenvolvimento do medicamento ocorre em parceria com o laboratório farmacêutico brasileiro Cristália, que atua na produção da substância em ambiente controlado e com padrões compatíveis com pesquisas clínicas.
Como a polilaminina atua na medula espinhal
O composto é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína fundamental durante o desenvolvimento embrionário. No sistema nervoso, essa molécula atua orientando o crescimento dos neurônios e favorecendo a formação de conexões funcionais.
Na lesão medular, a polilaminina busca modificar o microambiente da área lesionada, criando condições biológicas mais favoráveis à reconexão neural. Diferentemente de abordagens convencionais, a substância atua sobre mecanismos associados à regeneração do tecido nervoso, e não apenas ao controle de sintomas.
A importância da janela terapêutica de 72 horas
Um dos fatores considerados decisivos nos casos com resposta positiva é o momento da aplicação. A polilaminina foi administrada dentro da chamada janela terapêutica de 72 horas, período crítico após o trauma em que o tecido nervoso ainda não sofreu degeneração irreversível.
Essa fase inicial é marcada por processos inflamatórios e celulares que, se modulados precocemente, podem ampliar as chances de recuperação neurológica. No caso mais recente, cerca de dez dias após a aplicação, o paciente apresentou força voluntária nos braços e recuperação sensorial até a região abdominal, um achado incomum em quadros classificados como lesão medular completa.
Acompanhamento clínico e evidências observadas na prática
Os casos humanos registrados até o momento ocorreram no contexto de uso compassivo, com autorizações específicas e acompanhamento médico rigoroso. A pesquisa pré-clínica passou por avaliações éticas, e o composto já teve etapas de testes aprovadas pela Anvisa, representando um avanço importante no caminho regulatório.
Até o início de janeiro, ao menos dez pacientes haviam recorrido à Justiça para obter acesso ao tratamento experimental, refletindo o crescente interesse em torno da polilaminina.
Embora os resultados sejam promissores, a polilaminina não deve ser encarada como solução definitiva. Ainda assim, o acúmulo de casos sugere um ponto relevante para a ciência: a possibilidade de reavaliar o conceito de irreversibilidade da lesão medular.
Ao unir pesquisa acadêmica liderada pela UFRJ, desenvolvimento farmacêutico nacional e observação clínica controlada, a polilaminina se consolida como um dos avanços brasileiros mais promissores na medicina regenerativa.O vídeo abaixo apresenta os sinais iniciais de melhora observados no paciente e foi compartilhado pelo médico Mitter Mayer, que coordena o Grupo de Trabalho Intersetorial da Polilaminina no Espírito Santo.

