Os manguezais tropicais e subtropicais desempenham papel crucial na proteção costeira, na manutenção da biodiversidade e na subsistência de comunidades locais. No entanto, esses ecossistemas estão se tornando verdadeiros depósitos naturais de resíduos sólidos, com lixo proveniente tanto do ambiente terrestre quanto do mar. O acúmulo de detritos afeta a fauna, o solo e até a segurança alimentar das populações que dependem desses habitats.
Um estudo recente publicado na revista Environmental Pollution analisou o problema em larga escala nos manguezais da Colômbia, incluindo regiões costeiras do Caribe e do Pacífico. Os pesquisadores destacam que a poluição não se restringe a áreas urbanas: mesmo manguezais de ilhas protegidas sofrem com o lixo trazido pelas correntes e marés. Principais fatores do acúmulo de lixo nos manguezais:
- Proximidade de cidades costeiras sem coleta adequada de resíduos;
- Transporte de lixo por rios, chuva e correntes marinhas;
- Exposição de manguezais marginais às marés, que concentram plásticos flutuantes;
- Fragmentação natural de plásticos em microplásticos persistentes no solo.
Consequências para a biodiversidade e para comunidades locais
O lixo acumulado no solo e nas raízes interfere diretamente no equilíbrio ecológico dos manguezais. Peixes, crustáceos e aves podem ficar presos nos detritos ou ingerir microplásticos, que podem introduzir toxinas e patógenos na cadeia alimentar. Além disso, os resíduos reduzem a capacidade do solo de armazenar carbono, contribuindo para desequilíbrios ambientais locais.

O estudo identificou que manguezais marginais apresentam concentrações de até 2,5 objetos por metro quadrado, enquanto manguezais costeiros de rios e baías registram menos de 0,4 item por metro quadrado. As raízes aéreas de espécies como o mangue-vermelho (Rhizophora mangle) e o mangue-preto (Avicennia germinans) amplificam a retenção de detritos, tornando esses ecossistemas vulneráveis a longo prazo.
Estratégias essenciais para salvar os manguezais do lixo
Para proteger os manguezais, é essencial reduzir o uso de embalagens plásticas descartáveis e promover alternativas reutilizáveis e retornáveis. Além disso, é fundamental aprimorar a gestão de resíduos urbanos e rurais e investir em educação ambiental e políticas públicas de saneamento.
Garantir o acesso a coleta de lixo adequada e ao saneamento básico é vital para proteger os ecossistemas costeiros e a vida das comunidades que deles dependem. O estudo reforça que medidas preventivas são urgentes para manter esses habitats como oásis de biodiversidade e suporte à vida humana.

