Com o envelhecimento, muitas pessoas passam a perceber mudanças na digestão, intolerância a alimentos e inflamações intestinais persistentes. Esses sintomas costumam estar ligados ao desgaste do epitélio intestinal, uma camada delicada de células responsável pela absorção de nutrientes e pela proteção do organismo.
Uma descoberta promissora sugere que uma imunoterapia originalmente desenvolvida para o câncer pode ajudar a rejuvenescer o intestino envelhecido e restaurar sua capacidade de regeneração.
O intestino e o impacto do envelhecimento
Em condições normais, o epitélio intestinal se renova completamente a cada poucos dias. No entanto, com o avanço da idade ou após tratamentos agressivos, como a radioterapia, esse processo pode falhar. Quando a renovação celular diminui, o intestino se torna mais vulnerável à inflamação crônica, à má absorção de nutrientes e ao desenvolvimento da chamada síndrome do intestino permeável.
Pesquisadores do Cold Spring Harbor Laboratory identificaram que uma das principais causas desse declínio está no acúmulo de células senescentes, células envelhecidas que deixam de se dividir, mas permanecem ativas e disfuncionais no tecido.
Como a imunoterapia entra em cena

O estudo explorou o uso de células T CAR anti-uPAR, uma forma de terapia CAR-T, conhecida por sua aplicação no tratamento de alguns tipos de câncer. Nesse caso, a estratégia foi adaptada para reconhecer e eliminar células senescentes no intestino.
Ao remover essas células disfuncionais, o ambiente intestinal se torna mais favorável à regeneração. O resultado foi uma melhora significativa na renovação do epitélio, redução da inflamação e restauração da função intestinal em modelos animais.
Resultados impressionantes e duradouros
Em camundongos jovens e idosos, a aplicação da terapia levou a benefícios claros, incluindo:
- Melhora na absorção de nutrientes
- Redução da inflamação intestinal
- Regeneração mais rápida do epitélio após lesões
- Proteção contra danos causados por radiação
Um dos achados mais relevantes foi a durabilidade do efeito. Uma única aplicação das células CAR-T foi capaz de manter a função intestinal aprimorada por até um ano, um período significativo em termos biológicos.
Evidências iniciais em células humanas
Além dos testes em animais, os pesquisadores também observaram efeitos regenerativos em células intestinais e colorretais humanas em ambiente experimental. Embora os mecanismos exatos ainda estejam sendo investigados, os dados reforçam o potencial da abordagem para aplicações futuras em humanos, especialmente em idosos e pacientes submetidos à radioterapia.
Um novo caminho para a saúde intestinal
O estudo intitulado “Células T anti-uPAR CAR revertem e previnem defeitos associados ao envelhecimento na regeneração e aptidão intestinal”, publicado na revista científica Nature Aging, foi conduzido por Onur Eskiocak, Semir Beyaz, Corina Amor e colaboradores.
Os resultados apontam para uma mudança importante na forma como o envelhecimento intestinal pode ser tratado, abrindo caminho para terapias que não apenas aliviam sintomas, mas atuam diretamente na causa do problema.

