A Caatinga, muitas vezes lembrada apenas pelo clima seco e pela vegetação espinhosa, surpreendeu pesquisadores ao revelar uma função vital para o equilíbrio climático do Brasil. Um estudo da Unesp mostrou que esse bioma nordestino pode responder por quase 50% da remoção de carbono do país em anos de maior precipitação. Esse dado muda a forma como enxergamos a Caatinga e reforça a urgência de políticas de conservação.
Um bioma que reage rápido às chuvas
- A Caatinga sequestra até 50% do carbono do Brasil em anos de chuva abundante;
- Sua vegetação reage rapidamente à disponibilidade de água;
- Vale destacar que esse comportamento é diferente da Amazônia, que apresenta um platô fotossintético;
- Sendo assim, a Caatinga se torna estratégica porque consegue capturar mais carbono em curtos períodos de clima favorável.
O estudo, publicado na revista Science of the Total Environment, demonstrou que a vegetação da Caatinga reage de maneira intensa à disponibilidade de água. Quando as chuvas chegam, a rebrota acontece de forma acelerada, sequestrando grandes quantidades de CO₂. Cabe ressaltar que esse comportamento difere da Amazônia, onde a fotossíntese se mantém em níveis estáveis.

Comparando dados e descobrindo diferenças
Os pesquisadores compararam duas bases importantes: o SEEG e o Climate TRACE. O primeiro usa dados de uso do solo e desmatamento; já o segundo emprega satélites e inteligência artificial.
Por isso, os resultados variaram: o Climate TRACE conseguiu detectar melhor os picos de remoção em anos chuvosos. Em 2022, esse sistema apontou que a Caatinga foi responsável por 48% da captura de carbono do Brasil.
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O desafio das emissões e do desmatamento
Apesar desses resultados animadores, o país ainda enfrenta grandes desafios. O desmatamento segue sendo o principal responsável pelas emissões brasileiras, seguido pela agricultura e pelo setor de energia. Isso porque a derrubada de florestas libera enormes quantidades de CO₂.
Portanto, proteger biomas como a Caatinga e o Cerrado é essencial para reduzir os impactos climáticos. Com isso, o estudo da Unesp amplia a visão sobre o papel dos biomas brasileiros.
Dessa maneira, fica claro que a Caatinga não é apenas um ecossistema resistente, mas também um importante sumidouro de carbono. Desse jeito, políticas públicas voltadas à conservação e ao uso sustentável da região podem trazer ganhos climáticos e sociais. Afinal, preservar esse bioma é também preservar o futuro climático do Brasil.
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