Um pequeno dispositivo implantado está proporcionando melhora significativa e duradoura para pacientes com depressão resistente a tratamentos convencionais. Pessoas que conviviam com a doença por décadas estão conseguindo recuperar a qualidade de vida graças à tecnologia de estimulação do nervo vago.
Dispositivo que conecta corpo e cérebro
A depressão grave pode afetar atividades básicas, como trabalhar, se relacionar ou manter a rotina. O dispositivo, implantado sob a pele no tórax, envia sinais elétricos para o nervo vago, uma via de comunicação essencial entre cérebro e órgãos internos. Essa estimulação ajuda a modular áreas cerebrais ligadas ao humor e à motivação, promovendo efeitos positivos que podem se prolongar por anos.
O estudo RECOVER, publicado no International Journal of Neuropsychopharmacology, demonstrou que pacientes com o dispositivo ativo tiveram melhora consistente nos sintomas e qualidade de vida por pelo menos dois anos (Charles R Conway, 13 de janeiro de 2026, DOI: 10.1093/ijnp/pyaf080).
Resultados que se mantêm ao longo do tempo

Entre quase 500 pacientes acompanhados, a maioria havia tentado mais de uma dezena de tratamentos sem sucesso. Cerca de 69% apresentou resposta significativa após o primeiro ano, e mais de 80% manteve ou aumentou esses ganhos no segundo ano.
Quase 20% estavam praticamente sem sintomas depressivos após dois anos, um resultado raramente observado em pacientes com depressão crônica resistente a tratamento.
Benefícios além do humor
Além de reduzir sintomas, a estimulação do nervo vago melhorou a capacidade de realizar tarefas cotidianas.
Pacientes que inicialmente não responderam ao tratamento também puderam apresentar benefícios tardios, mostrando que a terapia pode demandar tempo para atingir seu efeito total.
Por que o implante funciona?
O nervo vago controla funções essenciais do corpo, incluindo batimentos cardíacos, digestão e reação ao estresse. Os sinais elétricos enviados pelo dispositivo ajustam a atividade cerebral em regiões ligadas ao humor, ajudando a “equilibrar” circuitos que estavam funcionando de forma disfuncional. A tecnologia demonstrou ser segura e eficaz a longo prazo, oferecendo uma nova alternativa para pacientes que esgotaram tratamentos convencionais.
O estudo RECOVER evidencia a importância de novas abordagens para depressão resistente a tratamento, mostrando que mesmo casos crônicos podem apresentar melhorias duradouras. A pesquisa reforça o potencial da estimulação do nervo vago como uma ferramenta transformadora para pacientes que antes tinham opções limitadas.

