Controlar a pressão arterial nem sempre é simples. Para algumas pessoas, mesmo com o uso de vários medicamentos, os níveis continuam elevados. Esse quadro, conhecido como hipertensão resistente, pode ter uma causa pouco investigada: o excesso do hormônio cortisol.
Um novo estudo apresentado na Sessão Científica Anual do Colégio Americano de Cardiologia, conduzido por Deepak L. Bhatt dentro do projeto MOMENTUM, revelou um dado surpreendente. Cerca de 27% dos pacientes com hipertensão resistente apresentam hipercortisolismo, uma condição caracterizada por níveis elevados de cortisol no organismo.
Complicações da hipertensão resistente
A hipertensão resistente ocorre quando a pressão permanece alta mesmo com o uso de três ou mais medicamentos. Esse cenário é mais comum do que se imagina e está associado a um maior risco de complicações graves.
Entre os principais riscos estão:
- Infarto do miocárdio
- Insuficiência cardíaca
- Acidente vascular cerebral
Diante disso, entender por que alguns pacientes não respondem ao tratamento é essencial para melhorar os resultados clínicos.
O papel do cortisol no organismo

O cortisol é conhecido como o hormônio do estresse e desempenha funções importantes no corpo, como regular o metabolismo e a resposta inflamatória. No entanto, quando permanece elevado por longos períodos, pode causar diversos prejuízos.
O hipercortisolismo está associado a:
- Ganho de peso
- Perda de massa muscular
- Alterações na glicose
- Maior risco cardiovascular
Além disso, níveis elevados de cortisol podem interferir diretamente no controle da pressão arterial, dificultando a ação dos medicamentos.
O que revelou o estudo MOMENTUM
O estudo MOMENTUM é o maior já realizado nos Estados Unidos sobre o tema. Ao todo, 1.086 pacientes com hipertensão resistente foram avaliados em 50 centros especializados.
Para identificar o excesso de cortisol, os participantes passaram por um teste específico chamado teste de supressão com dexametasona, que permite medir como o organismo regula esse hormônio.
Os principais achados incluem:
- 27% dos participantes apresentaram hipercortisolismo
- Pacientes com função renal reduzida tiveram maior risco
- Cerca de 20% tinham hiperaldosteronismo primário
- Aproximadamente 6% apresentavam ambas as condições
Esses dados indicam que alterações hormonais podem ser mais comuns do que se pensava em casos de pressão difícil de controlar.
Descoberta muda a abordagem clínica
Os resultados sugerem que o excesso de cortisol pode ser um fator determinante em muitos casos de hipertensão resistente. Isso abre caminho para uma abordagem mais personalizada no tratamento.
Na prática, isso significa que:
- Alguns pacientes podem precisar de investigação hormonal
- O tratamento pode ir além dos medicamentos tradicionais
- Novas estratégias podem focar na redução do cortisol
Esse tipo de abordagem pode aumentar as chances de controle efetivo da pressão arterial.
O que considerar a partir de agora
Para pessoas que enfrentam dificuldade em controlar a pressão, mesmo com tratamento adequado, vale a pena considerar a possibilidade de causas ocultas.
Entre os pontos de atenção:
- Pressão alta persistente mesmo com medicação
- Presença de fatores como diabetes ou obesidade
- Histórico de alterações hormonais
Nesses casos, a avaliação médica pode incluir exames específicos para investigar o hipercortisolismo.Embora mais pesquisas sejam necessárias, os dados indicam que o cortisol pode desempenhar um papel central em casos resistentes. Assim, identificar e tratar esse desequilíbrio pode representar um avanço importante na prevenção de doenças cardiovasculares.

