O aumento de peso após a menopausa é uma das mudanças mais frequentes no corpo feminino e, ao mesmo tempo, uma das mais complexas de explicar. Além das alterações hormonais já conhecidas, novas evidências científicas apontam para um possível protagonista inesperado: um hormônio associado ao jejum.
Um estudo publicado no The Journal of Nutrition em 19 de março de 2026, conduzido por Bo Yang, da Universidade da Califórnia em Irvine, analisou o papel da asprosina em mais de 4.000 mulheres participantes do estudo Women’s Health Initiative. Os resultados sugerem que esse hormônio pode estar ligado à proteção contra o ganho de peso em fases específicas da vida.
O que é a asprosina e por que ela chama atenção
A asprosina é uma adipocina, ou seja, um hormônio produzido pelo tecido adiposo. Ela ganhou destaque por estar relacionada a períodos de jejum e ao controle energético do organismo.
Entre suas principais funções estão:
- Estimular o fígado a liberar glicose para o sangue
- Enviar sinais ao cérebro que influenciam o apetite
- Participar do equilíbrio entre energia consumida e energia armazenada
Por esse comportamento, ela passou a ser popularmente associada ao chamado “hormônio do jejum”, embora sua atuação seja mais ampla no metabolismo.

O que o estudo encontrou em mulheres na pós-menopausa
Os pesquisadores acompanharam mulheres ao longo de três anos, avaliando níveis iniciais de asprosina e mudanças no peso corporal e composição corporal.
Os principais resultados mostraram que:
- Mulheres sem obesidade ou diabetes com níveis mais altos de asprosina apresentaram menor ganho de peso
- Houve 43% menos chance de ganho de peso significativo
- E 83% mais probabilidade de perda de peso relevante
- Parte da perda de peso envolveu redução de massa magra
Esses dados indicam que o hormônio pode estar ligado a uma maior estabilidade do peso em determinados perfis metabólicos.
Um possível efeito protetor, mas com limites

Os resultados sugerem que a asprosina pode exercer um efeito protetor contra o ganho de peso, especialmente em mulheres metabolicamente saudáveis. No entanto, esse efeito parece enfraquecer quando há resistência à insulina ou desenvolvimento de diabetes.
Isso indica que o hormônio pode funcionar como um regulador sensível do metabolismo, dependendo do estado geral de saúde do organismo.
Importância para a saúde feminina
A descoberta abre novas possibilidades para entender a obesidade pós-menopausa de forma mais precisa. Em vez de enxergar o ganho de peso apenas como resultado de estilo de vida, o estudo reforça o papel de mecanismos biológicos mais profundos.
Entre os potenciais impactos futuros estão:
- Estratégias de prevenção personalizadas
- Monitoramento hormonal para risco metabólico
- Abordagens mais direcionadas para controle de peso
- Estudos sobre preservação de massa muscular
Caminho ainda em investigação científica
Apesar dos achados promissores, ainda não está confirmado se a modulação da asprosina pode ser usada diretamente como tratamento. Mais pesquisas são necessárias para entender sua atuação no desenvolvimento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Mesmo assim, o estudo liderado reforça a ideia de que o metabolismo feminino na pós-menopausa pode ser influenciado por hormônios ainda pouco explorados pela ciência.

