A Plataforma de Gelo Oriental de Thwaites (TEIS), localizada na Antártida Ocidental, está passando por um derretimento acelerado que preocupa cientistas de todo o mundo. Pesquisas recentes, publicadas no Journal of Geophysical Research: Earth Surface e lideradas por Debangshu Banerjee, da Universidade de Manitoba, detalham como fraturas estruturais estão enfraquecendo essa importante geleira, também chamada de “geleira do apocalipse”.
O colapso da TEIS tem potencial de aumentar drasticamente o nível do mar, representando um risco global, já que a geleira funciona como uma tampa que retém enormes volumes de gelo. Principais descobertas do estudo
- Fraturas em duas fases: primeiro surgem imperfeições longas na direção do fluxo de gelo; depois aparecem fraturas curtas, transversais e mais perigosas;
- Ciclo de enfraquecimento: fraturas aceleram o fluxo do gelo, gerando novas imperfeições em um efeito em cascata;
- Monitoramento contínuo: dados de satélite, medições de fluxo de gelo e GPS de 2002 a 2020 foram essenciais para mapear a evolução das fraturas;
- Impactos potenciais: ruptura total da TEIS elevaria o nível do mar a níveis críticos, afetando regiões costeiras globalmente;
- Risco ampliado: fenômeno pode ocorrer em outras plataformas da Antártida, aumentando a urgência de medidas preventivas.
Como as fraturas enfraquecem a geleira

A TEIS é ancorada no oceano, mas imperfeições no ponto de encaixe começaram a se expandir ao longo das últimas duas décadas. O surgimento das fraturas curtas cria blocos soltos, tornando a plataforma estruturalmente mais frágil e móvel. Esse enfraquecimento contínuo permite que o gelo atrás da plataforma flua com mais rapidez, formando um ciclo de retroalimentação que acelera o colapso.
O avanço do derretimento da geleira Thwaites evidencia os efeitos do aquecimento global e reforça a necessidade de monitoramento rigoroso e medidas de mitigação climática. A perda estrutural da plataforma não afetaria apenas a Antártida, mas poderia causar inundações catastróficas em áreas costeiras e alterar a dinâmica de oceanos e clima global.
Estudos futuros devem focar em outras plataformas de gelo vulneráveis, para compreender padrões semelhantes de fraturas e prevenir impactos mais severos.

