Um lançamento espacial internacional chamou atenção nesta semana. O foguete indiano PSLV, responsável por colocar em órbita o satélite militar EOS-N1 e um satélite brasileiro de monitoramento ambiental, enfrentou uma anomalia crítica no terceiro estágio durante o voo, comprometendo a trajetória de suas cargas úteis.
Este incidente ocorre menos de um ano após uma falha similar em maio de 2025, levantando questionamentos sobre a confiabilidade do PSLV, tradicionalmente considerado um dos lançadores mais estáveis da Índia. Apesar do histórico de 64 missões bem-sucedidas, incluindo sondas lunares e marcianas, o recente revés reforça a complexidade de lançamentos orbitais.
Cargas estratégicas a bordo do PSLV
O lançamento não envolvia apenas o satélite militar indiano. Entre as 16 cargas úteis, destacam-se:
- Satélite brasileiro de monitoramento ambiental, desenvolvido com a participação de alunos do ensino médio;
- Satélite de observação tailandês-britânico;
- Equipamento de apoio a pescadores brasileiro;
- Cápsula de reentrada espanhola KID;
- Demonstração de tecnologias de reabastecimento orbital indianas.

O satélite brasileiro, parte da primeira constelação privada do país, possui funções de monitoramento ambiental, detecção de queimadas, segurança marítima e coleta de dados para o agronegócio. Um projeto futuro inclui sensores de CO₂ em “casas de pássaro” conectados aos satélites, permitindo detecção precoce de incêndios.
Análise da falha e próximos passos
A anomalia ocorreu durante a queima do terceiro estágio, provocando um desvio na trajetória do foguete. A ISRO suspendeu a transmissão ao vivo para análise detalhada de dados, e o destino das cargas ainda não foi confirmado. Caso a falha seja confirmada, será a segunda consecutiva e a quarta na história operacional do PSLV.
Este episódio evidencia os desafios crescentes das missões espaciais contemporâneas, principalmente quando envolvem tecnologia avançada e múltiplas cargas internacionais. Ainda assim, as missões anteriores demonstram que o PSLV permanece entre os foguetes mais confiáveis do mundo, oferecendo aprendizados valiosos para futuras operações.

