Exposição prolongada ao calor aumenta idade biológica em adultos, diz pesquisa

Calor extremo pode acelerar o envelhecimento biológico. (Foto: Getty Images via Canva)
Calor extremo pode acelerar o envelhecimento biológico. (Foto: Getty Images via Canva)

Pesquisas recentes indicam que ondas de calor prolongadas podem acelerar o envelhecimento biológico em adultos mais velhos, provocando mudanças silenciosas em nível celular e molecular. 

Um estudo conduzido pela Universidade do Sul da Califórnia, publicado na revista Science Advances, analisou 3.686 adultos com idade média de 68 anos, investigando como a frequência de dias extremamente quentes impacta a idade epigenética, uma medida que reflete a condição funcional do corpo.

Impactos do calor no corpo humano

Os resultados mostram que exposições contínuas ao calor extremo podem aumentar a idade biológica em até 2 anos, enquanto períodos mais curtos ou moderados elevam em cerca de 1 ano. O índice de calor diário, que combina temperatura e umidade, foi usado para classificar os níveis de risco, incluindo cuidado, cuidado extremo e perigo extremo.

Comparando regiões com climas quentes, como Phoenix, e locais mais amenos, como Seattle, os pesquisadores observaram uma diferença de 14 meses na idade epigenética, mesmo considerando fatores como atividade física, renda, tabagismo e hábitos de vida. Isso demonstra que o ambiente térmico influencia o envelhecimento independentemente do estilo de vida.

A análise da metilação do DNA, processo químico natural que muda com a idade, revelou-se altamente sensível ao calor e a fatores ambientais, ajudando a explicar o envelhecimento acelerado em locais mais quentes.

Consequências a longo prazo

O envelhecimento biológico induzido pelo calor pode aumentar o risco de diversas condições de saúde, incluindo:

  • Problemas cardiovasculares e pressão arterial elevada
  • Comprometimento da função renal
  • Maior risco de hospitalizações e incapacidades
  • Aumento da mortalidade em adultos mais velhos

O estudo ressalta que os efeitos do calor muitas vezes não se manifestam imediatamente em doenças diagnosticáveis, mas podem causar danos silenciosos que predispõem o corpo a problemas futuros.

Estratégias de proteção

Adultos mais velhos são mais vulneráveis ao calor intenso. (Foto: Robert Kneschke via Canva)
Adultos mais velhos são mais vulneráveis ao calor intenso. (Foto: Robert Kneschke via Canva)

Adultos mais velhos podem adotar medidas práticas para reduzir os efeitos do calor extremo:

  • Manter hidratação adequada ao longo do dia
  • Evitar exposição direta durante os horários mais quentes
  • Permanecer em ambientes frescos ou climatizados
  • Controlar a umidade do ar, pois influencia a regulação térmica
  • Realizar atividade física segura, preferencialmente em horários frescos

Essas estratégias ajudam a reduzir o impacto do calor no envelhecimento celular e promovem maior bem-estar.

Relevância do estudo

O estudo fornece dados essenciais para ações de saúde pública, alertas de calor extremo e estratégias de mitigação das mudanças climáticas. Com o aumento da frequência de ondas de calor, compreender como o calor afeta a biologia humana é crucial para prevenir envelhecimento acelerado e proteger a população mais vulnerável.

A pesquisa destaca que intervenções preventivas, mesmo simples, podem reduzir os efeitos do calor, protegendo células e tecidos antes que surjam doenças mais graves.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn