Europa, lua de Júpiter, pode não ter condições reais para a vida

Europa pode ter oceano, mas geologia limita chances de vida alienígena (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Europa pode ter oceano, mas geologia limita chances de vida alienígena (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

A lua gelada Europa, uma das maiores luas de Júpiter, sempre foi considerada um dos lugares mais promissores para a busca por vida extraterrestre. Sob sua crosta de gelo, acredita-se que exista um oceano subterrâneo profundo, contendo possivelmente o dobro da água dos oceanos terrestres. Contudo, novos estudos geológicos levantam dúvidas sobre a real capacidade de Europa sustentar vida como conhecemos.

Pesquisas recentes apontam que o fundo do oceano de Europa pode ser mecanicamente rígido demais para permitir atividade tectônica ou vulcânica, elementos cruciais para a geração de energia química e nutrientes essenciais para organismos vivos.

O que Europa possui e o que falta?

Embora o satélite reúna alguns requisitos importantes para a habitabilidade, ele apresenta limitações significativas:

  • Água líquida: Oceano subterrâneo sob 15 a 25 km de gelo, com profundidade estimada entre 60 e 150 km;
  • Compostos orgânicos: Encontrados na camada superficial de gelo, possivelmente presentes também no oceano;
  • Energia por aquecimento de marés: Fornecida pela interação gravitacional com Júpiter, suficiente apenas para manter o oceano líquido.

No entanto, a ausência de falhas tectônicas ativas, vulcões submarinos e chaminés hidrotermais torna difícil a criação de reações químicas essenciais, como as que geram metano ou outros nutrientes utilizados por vida microbiana.

Limitações geológicas e energéticas

Lua gelada de Júpiter desafia expectativas sobre habitabilidade extraterrestre (Imagem: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Kevin M. Gill)
Lua gelada de Júpiter desafia expectativas sobre habitabilidade extraterrestre (Imagem: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Kevin M. Gill)

Europa orbita Júpiter a uma distância maior que a lua Io, a mais vulcanicamente ativa do Sistema Solar. Por conta disso, o efeito do aquecimento por marés diminui, limitando a deformação tectônica e a atividade hidrotermal. Embora seu oceano permaneça líquido, o fundo rígido reduz drasticamente a probabilidade de ambientes propícios à vida, especialmente na forma complexa que conhecemos.

A importância de Europa nos estudos sobre habitabilidade

Mesmo com essas restrições, Europa continua sendo um laboratório natural para estudar habitabilidade fora da Terra. Suas características únicas permitem que cientistas:

  • Analise a presença de água líquida e compostos orgânicos;
  • Explore os efeitos do aquecimento por marés em oceanos extraterrestres;
  • Compare processos geológicos com outros corpos do Sistema Solar.

A missão Europa Clipper, lançada pela NASA em 2024, deve fornecer respostas mais detalhadas sobre a composição, geologia e potencial de vida do satélite a partir de 2031, quando realizará dezenas de sobrevoos próximos.

Embora novas pesquisas destaquem limitações significativas, Europa ainda é o melhor candidato no Sistema Solar para procurar vida alienígena. Estudar seu oceano e geologia não apenas nos ajuda a entender as possibilidades de habitabilidade, mas também expande nosso conhecimento sobre como a vida pode surgir e se adaptar em mundos extremos.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.