Videogames fazem parte da rotina de milhões de jovens, seja como lazer, competição ou forma de socialização. No entanto, uma nova pesquisa indica que existe um limite claro entre o uso equilibrado e o excesso.
Ao ultrapassar um determinado número de horas semanais, hábitos fundamentais como alimentação, sono e controle do peso começam a se deteriorar. O estudo sugere que o problema não está em jogar, mas no tempo dedicado aos jogos.
O limite que separa equilíbrio e excesso
Pesquisadores analisaram dados de 317 estudantes universitários australianos, com idade mediana de 20 anos, para entender como o tempo dedicado aos videogames se relaciona com indicadores de saúde. Os participantes foram classificados conforme o número de horas semanais de jogo.
Os resultados mostraram que até 10 horas por semana, os padrões de saúde permaneceram semelhantes. No entanto, acima desse limiar, surgiram diferenças consistentes e preocupantes, indicando um ponto de inflexão claro entre comportamento neutro e impacto negativo.
Alimentação pior e ganho de peso
Um dos achados mais consistentes foi a queda na qualidade da dieta entre estudantes que jogavam mais de 10 horas por semana. Além disso, esse grupo apresentou maior prevalência de excesso de peso.
Enquanto jogadores leves e moderados mantinham um índice de massa corporal dentro de faixas mais saudáveis, jogadores assíduos apresentaram valores compatíveis com sobrepeso, sugerindo que o tempo prolongado de jogo pode substituir refeições equilibradas e atividades físicas.
Mesmo após o controle de fatores como estresse e nível de atividade física, cada hora adicional de jogo semanal esteve associada a pior qualidade alimentar, reforçando a robustez da associação observada.
Sono: um dos primeiros a ser afetado
A pesquisa também identificou uma relação direta entre tempo de jogo e distúrbios do sono. Embora a qualidade do sono já fosse considerada insatisfatória em parte dos estudantes, ela se agravava conforme o tempo de exposição aos jogos aumentava.
Sessões prolongadas, especialmente à noite, podem atrasar o início do sono, fragmentar o descanso e comprometer o ritmo biológico, o que impacta diretamente o desempenho acadêmico e a saúde metabólica.
Importância na vida adulta
Os anos universitários são uma fase crítica para a formação de hábitos duradouros. Rotinas consolidadas nesse período tendem a se manter ao longo da vida, influenciando o risco futuro de obesidade, distúrbios do sono e doenças metabólicas.
O estudo reforça que não é necessário abandonar os videogames, mas sim adotar limites claros, intercalar pausas, evitar jogar tarde da noite e manter escolhas alimentares mais conscientes.
O que a pesquisa conclui
A pesquisa intitulada “Jogos eletrônicos associados a dieta inadequada, má qualidade do sono e níveis reduzidos de atividade física em estudantes universitários australianos”, publicada na revista Nutrition, teve como autor principal Thanaporn Kaewpradup e foi divulgada em 2026 (DOI: 10.1016/j.nut.2025.113051). Os dados indicam que o excesso de jogos está associado a maior risco à saúde, enquanto o uso moderado não apresentou efeitos relevantes.

