Um novo estudo trouxe à tona uma preocupação pouco discutida: a presença de substâncias químicas persistentes na alimentação de cães e gatos. Conhecidos como PFAS, esses compostos foram identificados em diferentes tipos de ração comercial, levantando questionamentos sobre possíveis impactos à saúde dos animais.
Essas substâncias são amplamente reconhecidas por sua resistência à degradação, o que faz com que permaneçam no ambiente por longos períodos e possam se acumular no organismo.
O que são os PFAS e por que preocupam
Os PFAS (substâncias per e polifluoroalquiladas) estão presentes em diversos produtos do dia a dia e já foram detectados na água, no solo e até em organismos vivos.
No caso dos animais de estimação, a exposição pode ocorrer de forma contínua, principalmente por meio da alimentação. Como cães e gatos compartilham o ambiente doméstico com humanos, eles também podem servir como indicadores de exposição ambiental.
O que o estudo encontrou nas rações

A pesquisa publicada na revista Environmental Pollution, conduzida por Kei Nomiyama (2026), analisou uma ampla variedade de alimentos comerciais para pets.
Os resultados mostraram que:
- PFAS foram detectados em diversos produtos
- Os níveis variaram bastante entre diferentes marcas e tipos
- Produtos com peixe como ingrediente principal apresentaram concentrações mais elevadas
- Alimentos secos, em geral, concentraram mais substâncias por grama
No entanto, um ponto chamou atenção: a forma de consumo pode alterar o nível real de exposição.
Por que alimentos úmidos podem representar maior risco?
Embora apresentem concentrações menores de PFAS por grama, os alimentos úmidos são oferecidos em maiores quantidades no dia a dia. Isso significa que, no total ingerido, a exposição pode ser maior.
Em outras palavras, o volume consumido compensa a menor concentração, aumentando o contato com essas substâncias ao longo do tempo.
Esse fator destaca a importância de considerar não apenas a composição, mas também a quantidade recomendada de consumo.
Ingredientes fazem diferença na contaminação
Outro achado relevante está relacionado à origem dos ingredientes. Produtos à base de peixe apresentaram níveis mais altos de PFAS em comparação com opções à base de carne.
Além disso, rações com grãos também mostraram concentrações elevadas quando combinadas com derivados de peixe.
Isso sugere que a cadeia alimentar pode influenciar diretamente na presença dessas substâncias.
Como isso impacta a saúde dos pets
Ainda existem lacunas importantes sobre os efeitos dos PFAS em cães e gatos. No entanto, estudos em humanos já associam essas substâncias a impactos no sistema imunológico, metabolismo e outros processos biológicos.
Diante disso, especialistas reforçam a necessidade de:
- Mais pesquisas específicas em animais de companhia
- Avaliações de segurança adaptadas à realidade dos pets
- Maior regulação na indústria de alimentos
A detecção de PFAS em alimentos para animais de estimação levanta um alerta importante sobre uma possível fonte contínua de exposição a substâncias químicas persistentes.
De acordo com os dados publicados na Environmental Pollution por Kei Nomiyama (2026), tanto o tipo de alimento quanto a quantidade consumida influenciam diretamente esse risco.
Embora ainda sejam necessários estudos mais aprofundados, o tema reforça a importância de acompanhar a qualidade da alimentação oferecida aos pets e o impacto silencioso de compostos presentes no ambiente.

