Estudo acende alerta para substâncias químicas em alimentos de pets

PFAS são detectados em alimentos para pets. (Foto: Damedeeso via Canva)
PFAS são detectados em alimentos para pets. (Foto: Damedeeso via Canva)

Um novo estudo trouxe à tona uma preocupação pouco discutida: a presença de substâncias químicas persistentes na alimentação de cães e gatos. Conhecidos como PFAS, esses compostos foram identificados em diferentes tipos de ração comercial, levantando questionamentos sobre possíveis impactos à saúde dos animais.

Essas substâncias são amplamente reconhecidas por sua resistência à degradação, o que faz com que permaneçam no ambiente por longos períodos e possam se acumular no organismo.

O que são os PFAS e por que preocupam

Os PFAS (substâncias per e polifluoroalquiladas) estão presentes em diversos produtos do dia a dia e já foram detectados na água, no solo e até em organismos vivos.

No caso dos animais de estimação, a exposição pode ocorrer de forma contínua, principalmente por meio da alimentação. Como cães e gatos compartilham o ambiente doméstico com humanos, eles também podem servir como indicadores de exposição ambiental.

O que o estudo encontrou nas rações

Alimentos úmidos aumentam exposição a PFAS. (Foto: Aliaksandrbarysenka via Canva)
Alimentos úmidos aumentam exposição a PFAS. (Foto: Aliaksandrbarysenka via Canva)

A pesquisa publicada na revista Environmental Pollution, conduzida por Kei Nomiyama (2026), analisou uma ampla variedade de alimentos comerciais para pets.

Os resultados mostraram que:

  • PFAS foram detectados em diversos produtos
  • Os níveis variaram bastante entre diferentes marcas e tipos
  • Produtos com peixe como ingrediente principal apresentaram concentrações mais elevadas
  • Alimentos secos, em geral, concentraram mais substâncias por grama

No entanto, um ponto chamou atenção: a forma de consumo pode alterar o nível real de exposição.

Por que alimentos úmidos podem representar maior risco?

Embora apresentem concentrações menores de PFAS por grama, os alimentos úmidos são oferecidos em maiores quantidades no dia a dia. Isso significa que, no total ingerido, a exposição pode ser maior.

Em outras palavras, o volume consumido compensa a menor concentração, aumentando o contato com essas substâncias ao longo do tempo.

Esse fator destaca a importância de considerar não apenas a composição, mas também a quantidade recomendada de consumo.

Ingredientes fazem diferença na contaminação

Outro achado relevante está relacionado à origem dos ingredientes. Produtos à base de peixe apresentaram níveis mais altos de PFAS em comparação com opções à base de carne.

Além disso, rações com grãos também mostraram concentrações elevadas quando combinadas com derivados de peixe.

Isso sugere que a cadeia alimentar pode influenciar diretamente na presença dessas substâncias.

Como isso impacta a saúde dos pets

Ainda existem lacunas importantes sobre os efeitos dos PFAS em cães e gatos. No entanto, estudos em humanos já associam essas substâncias a impactos no sistema imunológico, metabolismo e outros processos biológicos.

Diante disso, especialistas reforçam a necessidade de:

  • Mais pesquisas específicas em animais de companhia
  • Avaliações de segurança adaptadas à realidade dos pets
  • Maior regulação na indústria de alimentos

A detecção de PFAS em alimentos para animais de estimação levanta um alerta importante sobre uma possível fonte contínua de exposição a substâncias químicas persistentes.

De acordo com os dados publicados na Environmental Pollution por Kei Nomiyama (2026), tanto o tipo de alimento quanto a quantidade consumida influenciam diretamente esse risco.

Embora ainda sejam necessários estudos mais aprofundados, o tema reforça a importância de acompanhar a qualidade da alimentação oferecida aos pets e o impacto silencioso de compostos presentes no ambiente.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes