A galáxia Andrômeda, vizinha mais próxima da Via Láctea, se tornou palco de um fenômeno cósmico incomum: uma estrela massiva desapareceu sem gerar a explosão típica de uma supernova. Esse desaparecimento inesperado desafia teorias tradicionais sobre a evolução de estrelas supergigantes e levanta questões sobre os mecanismos de formação de buracos negros.
O astro em questão, conhecido como M31-2014-DS1, era uma supergigante amarela com massa estimada entre 12 e 13 vezes a do Sol. Observações registradas entre 2014 e 2018 indicam que a estrela brilhou intensamente antes de desaparecer completamente dos registros telescópicos. Entre as hipóteses levantadas pelos pesquisadores, destacam-se:
- Colapso direto em buraco negro, sem supernova;
- Supernova fracassada, gerando pouca ejeção de material;
- Fusão estelar, produzindo poeira que oculta temporariamente a estrela.
Estrela desaparecida pode ter virado buraco negro silencioso em Andrômeda
Modelos teóricos sugerem que estrelas muito massivas podem colapsar diretamente em buracos negros sem emitir o clarão característico de uma supernova. Dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST) e do Observatório de Raios X Chandra detectaram uma fonte avermelhada no local onde a estrela deveria estar, indicando luminosidade residual equivalente a apenas 7% ou 8% do brilho original.

Além disso, a presença de poeira cósmica na região, ocupando entre 40 e 200 unidades astronômicas, poderia explicar a ausência de emissão em raios X, bloqueando radiação que normalmente seria detectável.
Fusão estelar pode explicar desaparecimento da gigante
Outra possibilidade intrigante é que duas estrelas tenham se fundido, formando um único astro temporariamente ofuscado por poeira. Nesse cenário, a estrela poderia reaparecer quando o material se dissipar, oferecendo uma explicação alternativa para o desaparecimento sem a necessidade de colapso direto em buraco negro.
O caso de M31-2014-DS1 demonstra que ainda há lacunas significativas na compreensão dos ciclos de vida de estrelas massivas. Esse fenômeno pode ajudar a refinar modelos de formação de buracos negros de massa estelar e a entender melhor os processos que ocorrem em galáxias próximas.
Atualmente, as equipes continuam a monitorar a região com o JWST, esperando coletar novos dados que possam esclarecer se o desaparecimento da estrela se deve a um colapso silencioso ou a uma fusão estelar.Portanto, a estrela M31-2014-DS1 permanece como um mistério cósmico, lembrando que o Universo ainda guarda segredos que desafiam nossa compreensão científica.

