A endometriose, frequentemente associada à dor e infertilidade, pode ter impactos muito além do sistema reprodutivo. Evidências recentes indicam que a doença pode estar relacionada a um aumento significativo no risco de problemas cardiovasculares, como infarto e AVC. Essa possível conexão amplia o olhar sobre a condição e reforça a importância do acompanhamento integral da saúde.
Estudo revela aumento do risco cardiovascular
Uma revisão sistemática com meta-análise publicada na BMC Public Health (2025) investigou a relação entre endometriose e doenças cardiovasculares. O estudo reuniu dados de pesquisas internacionais conduzidas entre 2000 e 2023, seguindo critérios rigorosos de análise científica.
Os resultados mostraram que mulheres com endometriose apresentam:
- 23% mais risco de desenvolver doenças cardiovasculares
- 13% mais risco de hipertensão
Esses dados reforçam a hipótese de que a doença pode influenciar não apenas o sistema reprodutivo, mas também o funcionamento do sistema cardiovascular.
O que é a endometriose e por que ela preocupa

Na endometriose, células parecidas com as do endométrio se desenvolvem fora do útero. Esse tecido pode atingir:
- Ovários
- Trompas
- Região pélvica
- Órgãos adjacentes
Esse processo desencadeia inflamação persistente, um fator que pode ter impacto sistêmico no organismo.
Além disso, a doença afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva, sendo considerada um importante problema de saúde pública.
Qual a ligação entre endometriose e o coração
Embora a relação ainda esteja em investigação, existem mecanismos biológicos plausíveis que ajudam a explicar essa associação.
Segundo a própria meta-análise, a endometriose está relacionada a:
- Inflamação crônica sistêmica
- Estresse oxidativo elevado
- Alterações no metabolismo lipídico
Esses fatores são conhecidos por contribuir para o desenvolvimento de aterosclerose, condição que aumenta o risco de infarto e AVC.
Sintomas que não devem ser ignorados
A identificação precoce da endometriose é essencial para evitar complicações. Entre os principais sinais estão:
- Dor intensa na menstruação
- Dor pélvica crônica
- Dificuldade para engravidar
- Dor durante relações sexuais
- Fadiga persistente
Esses sintomas podem afetar significativamente a qualidade de vida e devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Por que o acompanhamento deve ir além do ginecológico?
Os achados da BMC Public Health (2025) sugerem que mulheres com endometriose podem se beneficiar de uma abordagem mais ampla de cuidado, incluindo atenção ao risco cardiovascular.
Isso significa que, além do tratamento dos sintomas ginecológicos, pode ser importante:
- Monitorar a pressão arterial
- Avaliar fatores de risco cardíaco
- Adotar hábitos de vida saudáveis
No entanto, os próprios autores destacam que os resultados devem ser interpretados com cautela, já que mais estudos são necessários para confirmar a relação causal.
O que a ciência concluiu até agora
As evidências atuais apontam para uma associação consistente, mas ainda não definitiva. Ou seja, a endometriose pode estar ligada ao aumento do risco cardiovascular, mas não é possível afirmar que ela seja a causa direta.
Mesmo assim, o alerta é relevante, especialmente considerando a alta prevalência da doença.

