Dormir menos de seis horas por noite ao longo da semana pode ter um impacto muito mais profundo no desempenho diário do que muitos imaginam. Estudos científicos recentes mostram que a privação de sono está diretamente associada à queda de rendimento cognitivo, atenção reduzida e pior desempenho no trabalho, mesmo quando a pessoa continua comparecendo normalmente às suas atividades.
O padrão irregular de sono pode multiplicar por até seis o risco de desempenho reduzido no trabalho, mesmo com descanso nos fins de semana.
O estudo que revelou essa relação
Uma pesquisa conduzida por E Takano, E Okajima, T Ando, S Iwano e E Inoue foi publicada na revista científica Occupational Medicine em 29 de abril de 2024. O estudo, intitulado “Presenteeism and sleep duration on workdays and days off”, analisou padrões de sono de trabalhadores adultos e a relação desses padrões com o presenteísmo, que é quando o trabalhador está presente no trabalho, mas com desempenho abaixo do esperado (DOI: 10.1093/occmed/kqae028).
O que os pesquisadores fizeram
Os participantes foram categorizados de acordo com a duração do sono em dias úteis e dias de folga:
- Curta: menos de 6 horas por noite
- Média: de 6 a 8 horas por noite
- Longa: 9 horas ou mais por noite
Com base nas combinações entre esses padrões, os cientistas compararam a ocorrência de presenteísmo em cada grupo.
Impactos do sono irregular

Os resultados mostraram que qualquer padrão de sono irregular aumentou significativamente o risco de queda no desempenho. O achado mais impactante ocorreu em quem dormia:
- De 6 a 8 horas nos dias úteis, mas
- Menos de 6 horas nos dias de folga
Nesse grupo, a probabilidade de apresentar desempenho reduzido no trabalho foi até 6,82 vezes maior do que no grupo que dormia entre 6 e 8 horas de sono consistentemente (referência). Esse valor é estatisticamente robusto e evidencia que dormir menos de seis horas em alguma parte da semana está fortemente ligado à pior performance diária.
Por que dormir mais aos fins de semana não resolve o problema?
Uma conclusão importante do estudo é que “compensar” o sono apenas nos dias de folga não resolve o problema. A privação acumulada de sono ao longo de vários dias altera ritmos biológicos, gerando efeitos que não desaparecem imediatamente.
Além disso, a irregularidade no padrão de sono pode provocar o chamado jet lag social, que interfere negativamente na função cognitiva.
Impacto direto no trabalho e na saúde
A pesquisa reforça que manter um padrão de sono regular não é apenas uma questão de descanso, mas de preservar desempenho e bem-estar no dia a dia. A duração adequada, especialmente entre 6 e 8 horas por noite, tanto na semana quanto nos fins de semana, está associada a:
- Melhor atenção e foco
- Maior capacidade de tomada de decisões
- Menos fadiga e erros no trabalho
- Proteção da saúde mental
Dormir consistentemente menos de seis horas por noite, mesmo em apenas uma parte da semana, está estatisticamente ligado a um risco muito maior de queda no desempenho diário. Esse achado de E Takano et al. (2024) destaca a importância de uma rotina de sono estável e suficiente para manter tanto a capacidade cognitiva quanto a produtividade.

