A Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do Brasil, perdeu mais de dois terços de sua área original devido à ocupação humana e ao desmatamento. Essa transformação não apenas ameaça espécies de animais e plantas, mas também altera o comportamento de mosquitos transmissores de doenças, como o Anopheles gambiae.
Estudos recentes publicados na Frontiers in Ecology and Evolution (2026), como Aspectos da alimentação sanguínea de mosquitos (Diptera: Culicidae) durante o período crepuscular em remanescentes da Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro, Brasil (DOI: 10.3389/fevo.2025.1721533) mostram que esses mosquitos estão cada vez mais se alimentando de humanos, aumentando o risco de transmissão de patógenos.
Mudança no comportamento dos mosquitos
Pesquisadores capturaram 1.714 mosquitos de 52 espécies em reservas naturais do Rio de Janeiro, utilizando armadilhas luminosas. A análise de DNA sanguíneo revelou:
- 24 mosquitos apresentaram sangue identificável;
- 18 desses casos eram humanos, enquanto o restante incluía aves, anfíbios, roedores e canídeos;
- Algumas refeições eram mistas, envolvendo humanos e outros animais.

Essa mudança evidencia que, em ambientes degradados, os mosquitos preferem hospedeiros humanos, provavelmente por proximidade e disponibilidade, em detrimento de animais selvagens.
Impactos na saúde pública
A preferência por humanos não é apenas um incômodo. Mosquitos nas regiões estudadas podem transmitir dengue, Zika, febre amarela, Chikungunya, Mayaro e Sabiá, representando riscos sérios para a saúde pública. Com o aumento da urbanização, esses vetores se tornam mais próximos das pessoas, tornando os surtos de doenças mais frequentes e difíceis de controlar.
A redução da biodiversidade força os mosquitos a buscar os humanos como fonte de alimento, enquanto a manutenção do equilíbrio ecológico ajuda a preservar seus hábitos naturais de alimentação. Além disso, a vigilância científica é fundamental para prever surtos e orientar políticas de saúde.
Por isso, compreender a alimentação dos mosquitos é essencial para desenvolver estratégias de controle mais eficazes, que levem em conta tanto o equilíbrio do ecossistema quanto a proteção da população.

