Uma descoberta inédita no Brasil está mudando nossa compreensão sobre impactos cósmicos em território nacional. Pesquisadores identificaram vidros naturais, chamados de tectitos, formados pela colisão de objetos extraterrestres com a Terra há aproximadamente 6,3 milhões de anos. Esta é a primeira vez que um campo de tectitos é documentado no país, com exemplares encontrados em Minas Gerais, Bahia e Piauí.
Os vidros são conhecidos por sua formação única: o impacto derrete rochas locais, que se solidificam rapidamente em fragmentos de vidro com propriedades físicas e químicas específicas. No caso brasileiro, eles receberam o nome de “geraisitos”, e seu estudo oferece uma janela para eventos cósmicos raros em nosso planeta. Principais características dos geraisitos brasileiros:
- Extensão do campo de achados: de 90 km inicialmente em Minas Gerais para cerca de 900 km com novas descobertas na Bahia e Piauí;
- Peso dos fragmentos: variando de menos de 1 g até 85,4 g;
- Cor: preta opaca, que muda para verde-acinzentado quando exposta à luz;
- Quantidade já catalogada: mais de 600 fragmentos reunidos.
Um registro global de impactos raros
Antes do achado no Brasil, apenas cinco campos de tectitos eram conhecidos mundialmente: Australásia, Europa Central, Costa do Marfim, América do Norte e Belize. A descoberta brasileira, publicada na revista Geology, coloca o país em destaque no estudo de eventos cósmicos antigos, permitindo comparações com os impactos globais mais significativos.

Estudos de datação isotópica de argônio indicam que o evento ocorreu há cerca de 6,3 milhões de anos, embora essa idade represente um limite máximo, pois parte do argônio poderia ter origem nas rochas pré-existentes atingidas pelo impacto.
Onde estaria a cratera?
Apesar da abundância de fragmentos, a cratera resultante da colisão ainda não foi identificada. Pesquisadores apontam para o cráton do São Francisco, que abrange Minas Gerais, Bahia e Sergipe, como possível local do impacto. Investigações futuras podem não apenas localizar o buraco, mas também reconstruir a magnitude do evento e o tamanho do objeto extraterrestre que atingiu a Terra.
O estudo dos geraisitos brasileiros reforça a importância de explorações geológicas detalhadas e o potencial do país em contribuir para a compreensão global de impactos cósmicos. Além disso, demonstra como fragmentos aparentemente pequenos podem contar grandes histórias sobre o nosso planeta.

