Pesquisadores da Universidade de Victoria descobriram que a proteína Reelin pode ser essencial para a saúde do intestino e do cérebro. O estresse prolongado prejudica a barreira intestinal, permitindo que toxinas e bactérias escapem para o sangue, aumentando a inflamação e podendo piorar a depressão.
O estudo, publicado na revista Chronic Stress, aponta que restaurar Reelin pode trazer benefícios terapêuticos surpreendentes.
Como o estresse prejudica o intestino
Normalmente, o intestino controla a entrada de nutrientes e bloqueia substâncias nocivas. Mas o estresse crônico deixa essa barreira mais permeável, fenômeno conhecido como intestino permeável. Isso aumenta a inflamação e pode afetar o cérebro, reforçando a importância do eixo intestino-cérebro. Como descreve Halvorson et al., condições que reduzem Reelin favorecem tanto disfunções intestinais quanto alterações no humor (Ciara S Halvorson, 2025).
Reelin: restaurando o equilíbrio
A Reelin é uma proteína encontrada no intestino, cérebro e sangue. Em modelos pré-clínicos, o estresse reduziu os níveis de Reelin, mas uma injeção única restaurou a proteína e apresentou efeitos semelhantes aos de antidepressivos.
Segundo o artigo Uma injeção intravenosa de reelina resgata a expressão endógena de reelina e a apoptose de células epiteliais no intestino delgado após estresse crônico (DOI: 10.1177/24705470251381456), essa intervenção promoveu reparo intestinal e melhora comportamental em animais.
Benefícios observados da Reelin:
- Reforço da barreira intestinal
- Redução da inflamação sistêmica
- Alívio dos sintomas de depressão
- Estímulo à renovação das células intestinais
Importância para a saúde mental
Estudos anteriores já indicavam que pessoas com transtorno depressivo maior apresentam níveis reduzidos de Reelin no cérebro. O trabalho de Halvorson e colaboradores sugere que a proteína também é crucial para a renovação intestinal. Assim, terapias que aumentem Reelin podem oferecer um tratamento mais completo para quem enfrenta depressão e problemas gastrointestinais ao mesmo tempo.
Próximos passos
Embora os resultados sejam promissores, são necessários ensaios clínicos em humanos para confirmar segurança e eficácia. A pesquisa abre espaço para tratamentos que atuem simultaneamente no intestino e no cérebro, oferecendo uma abordagem inovadora e potencialmente mais eficaz que antidepressivos convencionais.

