Vitamina D2 surpreende cientistas com impacto negativo no organismo

Vitamina D2 pode reduzir níveis de D3 no corpo. (Foto: Getty Images via Canva)
Vitamina D2 pode reduzir níveis de D3 no corpo. (Foto: Getty Images via Canva)

A suplementação de vitamina D é amplamente recomendada para fortalecer ossos, imunidade e prevenir deficiências, especialmente em períodos com pouca exposição solar.

No entanto, uma descoberta recente levanta um alerta importante: nem todas as formas dessa vitamina agem da mesma maneira no corpo. Um estudo científico aponta que um tipo bastante utilizado pode, na verdade, reduzir a forma mais ativa e eficiente da vitamina no organismo.

Entenda a diferença entre vitamina D2 e D3

Existem duas principais formas de suplementação: vitamina D2 (ergocalciferol) e vitamina D3 (colecalciferol). Embora ambas sejam usadas para elevar os níveis de vitamina D no sangue, elas não têm o mesmo desempenho biológico.

A vitamina D3 é a forma que o corpo produz naturalmente quando a pele é exposta ao sol. Por isso, ela é considerada mais eficaz na manutenção de níveis adequados no organismo. A vitamina D2, por sua vez, é de origem vegetal e está presente em muitos suplementos e alimentos enriquecidos.

O que diz o novo estudo científico

Uma análise robusta publicada na revista científica Nutrition Reviews, conduzida por Emily IG Brown e publicada em setembro de 2025, avaliou diversos ensaios clínicos randomizados. O objetivo foi investigar o impacto da suplementação com vitamina D2 sobre os níveis de 25-hidroxivitamina D3, que é a principal forma circulante da vitamina no sangue.

Os resultados chamaram atenção. Em comparação com grupos que não utilizaram vitamina D2, aqueles que consumiram esse tipo de suplemento apresentaram:

  • Redução significativa dos níveis de vitamina D3
  • Em alguns casos, níveis ainda menores que os do grupo controle
  • Possível interferência no equilíbrio geral da vitamina D no organismo

Esses achados sugerem que a vitamina D2 pode não apenas ser menos eficiente, mas também interferir negativamente na presença da forma mais ativa da vitamina.

Impacto direto no sistema imunológico

D3 ativa defesas contra vírus e bactérias. (Foto: Getty Images via Canva)
D3 ativa defesas contra vírus e bactérias. (Foto: Getty Images via Canva)

Além disso, evidências anteriores reforçam que as diferenças entre D2 e D3 vão além da absorção. Um estudo publicado na Frontiers in Immunology, liderado por Colin P. Smith, também da Universidade de Surrey, indicou que a vitamina D3 desempenha um papel mais relevante na regulação do sistema imunológico.

De forma mais específica, a D3 atua na ativação de mecanismos ligados à defesa do organismo, como o sistema de interferon tipo I, essencial para combater:

  • Infecções virais
  • Bactérias invasoras

Enquanto isso, a vitamina D2 não demonstrou o mesmo efeito biológico.

Importância da descoberta 

A deficiência de vitamina D é considerada um problema global, especialmente em regiões com baixa incidência solar em determinadas épocas do ano. Nesse contexto, a escolha do tipo de suplemento pode fazer diferença real nos resultados de saúde.

Diante das evidências, cresce a necessidade de:

  • Avaliar qual forma de vitamina D é mais eficaz
  • Considerar características individuais antes da suplementação
  • Investir em estratégias nutricionais mais eficientes

O que considerar antes de suplementar

Embora a suplementação seja importante em muitos casos, esse estudo reforça que não basta apenas consumir vitamina D, é essencial escolher a forma adequada. A vitamina D3 tende a ser mais alinhada com a fisiologia do corpo humano.

Ainda assim, a decisão deve sempre levar em conta fatores como:

  • Exames laboratoriais
  • Orientação profissional
  • Condições individuais de saúde

Com isso, a ciência avança no entendimento sobre a suplementação ideal, abrindo caminho para abordagens mais personalizadas e eficazes na promoção da saúde.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn