Pesquisas recentes indicam que os mosassauros, répteis marinhos gigantes que dominaram os oceanos há mais de 66 milhões de anos, não se limitavam aos mares. Um dente fossilizado encontrado em Dakota do Norte sugere que esses predadores imponentes, com até 11 metros de comprimento, também exploravam rios de água doce no último milhão de anos antes da extinção.
A análise foi conduzida por uma equipe internacional de pesquisadores da Universidade de Uppsala, em colaboração com a Vrije Universiteit Amsterdam e o Serviço Geológico de Dakota do Norte, e publicada na revista BMC Zoology no estudo “Rei das Margens do Rio”: Uma abordagem multi-proxy oferece uma nova perspectiva sobre os mosassauros antes de sua extinção (During et al., 2025).
Evidências isotópicas apontam habitats fluviais

O dente de mosassauro foi encontrado em um depósito fluvial junto a fósseis de Tyrannosaurus rex, crocodilianos e o dinossauro herbívoro Edmontosaurus. Para entender a origem desse predador marinho em um rio, os pesquisadores utilizaram análises isotópicas de oxigênio, estrôncio e carbono no esmalte dentário.
Principais achados:
- A proporção de oxigênio ¹⁶O indicou que o animal vivia em água doce, diferente dos mosassauros típicos de ambiente marinho.
- A assinatura de estrôncio reforçou o habitat fluvial.
- Os níveis de carbono ¹³C sugerem que o mosassauro não mergulhava em grandes profundidades e poderia ter se alimentado de dinossauros afogados.
Dois dentes adicionais de mosassauro, encontrados em sítios próximos, apresentaram assinaturas isotópicas semelhantes, confirmando a presença consistente desses animais em ambientes fluviais.
Transformação do ambiente e adaptação

Durante o período final do Mar Interior Ocidental, um mar interior que dividia a América do Norte, o influxo de água doce aumentou gradualmente. Esse fenômeno criou uma camada de água doce sobre uma mais salgada, permitindo que os mosassauros respirassem e caçassem em rios e canais.
Exemplos modernos de adaptação similar incluem:
- Botos-cor-de-rosa, descendentes de animais marinhos, que vivem em rios amazônicos.
- Crocodilos de água salgada, que transitam entre rios e oceanos para caçar.
Um predador colossal em rios
O tamanho do dente indica que o animal poderia atingir até 11 metros, equivalente a um ônibus, tornando-o um predador extraordinário em habitats fluviais. Os fósseis sugerem que ele pertencia a um mosassauro do gênero Prognathodon, conhecido por mandíbulas robustas e hábitos predatórios oportunistas.
A descoberta amplia nosso entendimento sobre a flexibilidade ecológica desses répteis e mostra como grandes predadores podiam se adaptar rapidamente a mudanças ambientais significativas nos últimos milhões de anos do período Cretáceo.

