Declínio da memória está ligado à redução global do volume cerebral, diz estudo

Mudanças no cérebro explicam a queda da memória com a idade. (Foto: Getty Images via Canva)
Mudanças no cérebro explicam a queda da memória com a idade. (Foto: Getty Images via Canva)

A perda de memória que ocorre com o avanço da idade não acontece apenas porque uma parte específica do cérebro falha. Um novo estudo científico mostra que esse declínio está ligado a uma redução gradual do volume do cérebro como um todo, um processo que se acumula ao longo dos anos e pode acelerar de forma inesperada.

A pesquisa foi publicada na revista científica Nature Communications com o título “Vulnerabilidade ao declínio da memória no envelhecimento revelada por uma mega-análise de mudanças estruturais no cérebro”. O estudo reúne dados de grandes centros de pesquisa internacionais e foi publicado em 21 de novembro de 2025 (DOI: 10.1038/s41467-025-66354-y).

O que os cientistas analisaram

Para entender melhor como a memória muda com a idade, os pesquisadores analisaram mais de 10 mil exames de ressonância magnética e 13 mil testes de memória. Ao todo, participaram 3.700 adultos considerados saudáveis do ponto de vista cognitivo, acompanhados ao longo do tempo.

Essa grande quantidade de dados permitiu observar como as mudanças físicas no cérebro se relacionam com a capacidade de lembrar informações. O principal resultado foi claro: quanto maior a perda de volume cerebral, maior tende a ser o declínio da memória, especialmente em idades mais avançadas.

Não é só uma parte do cérebro que importa

Redução cerebral ampla está ligada ao declínio da memória. (Foto: Getty Images via Canva)
Redução cerebral ampla está ligada ao declínio da memória. (Foto: Getty Images via Canva)

Durante muito tempo, acreditou-se que a perda de memória estava ligada principalmente ao hipocampo, região conhecida por seu papel na formação de lembranças. O estudo confirma que o hipocampo é importante, mas mostra que ele não atua sozinho.

Outras áreas do cérebro, tanto superficiais quanto profundas, também apresentam redução de volume associada à queda da memória. Isso indica que o envelhecimento afeta o cérebro de forma ampla, criando uma fragilidade geral, e não um problema isolado em um único ponto.

Por que a memória pode piorar mais rápido em algumas pessoas?

Outro achado importante do estudo é que a perda de memória não acontece de forma linear, ou seja, não piora sempre no mesmo ritmo. Em algumas pessoas, o cérebro consegue compensar as mudanças por um tempo. Porém, quando a redução do volume cerebral ultrapassa certo nível, o impacto sobre a memória passa a ser mais rápido e mais intenso.

Esse padrão foi observado em várias regiões do cérebro, o que reforça a ideia de que a memória depende do funcionamento conjunto de diferentes áreas.

Os resultados ajudam a explicar por que algumas pessoas mantêm a memória preservada por mais tempo, enquanto outras apresentam um declínio mais rápido. A perda de memória não é apenas uma consequência natural da idade, mas o resultado de mudanças acumuladas no cérebro ao longo da vida.

Compreender esse processo pode ajudar no acompanhamento precoce, na prevenção do declínio cognitivo e no desenvolvimento de estratégias para manter a saúde do cérebro por mais tempo.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.