Cristais antigos revelam quando os continentes realmente começaram a se formar

Cristais de 3,7 bilhões de anos revelam o surgimento tardio dos continentes (Imagem: TrueCreatives via Canva)
Cristais de 3,7 bilhões de anos revelam o surgimento tardio dos continentes (Imagem: TrueCreatives via Canva)

Um estudo recente sobre rochas vulcânicas da Austrália Ocidental trouxe novas evidências sobre a formação dos continentes e o desenvolvimento inicial da Terra primitiva. Ao analisar minúsculos cristais de feldspato plagioclásio preservados em anortositos de até 3,7 bilhões de anos, os cientistas conseguiram reconstruir os capítulos mais antigos da história do planeta e traçar paralelos com a formação da Lua.

Os dados sugerem que os continentes não surgiram imediatamente após a formação da Terra, indicando um crescimento mais gradual e prolongado da crosta continental:

  • Rochas analisadas: anortositos da região de Murchison, na Austrália;
  • Cristais preservados: feldspato plagioclásio com assinaturas químicas antigas;
  • Idade do crescimento continental expressivo: 3,5 bilhões de anos, cerca de um bilhão após o nascimento da Terra;
  • Comparação com a Lua: evidências reforçam teoria do impacto que formou o satélite.

Cristais que guardam a memória da Terra

Esses cristais funcionam como registros naturais do manto terrestre, permitindo aos pesquisadores identificar mudanças químicas ocorridas há bilhões de anos. Técnicas de alta precisão possibilitaram analisar regiões intactas desses minerais, revelando como a crosta terrestre evoluiu lentamente e fornecendo contexto sobre o ambiente propício ao surgimento da vida.

O estudo mostra que a Terra passou por um período inicial sem continentes significativos, e que sua superfície só se estabilizou gradualmente, permitindo a formação de grandes massas continentais.

Conexão entre a Terra e a Lua

Estudo liga Terra primitiva e Lua, reescrevendo a história do planeta (Imagem: Getty Images via Canva)
Estudo liga Terra primitiva e Lua, reescrevendo a história do planeta (Imagem: Getty Images via Canva)

Além de estudar a Terra primitiva, os pesquisadores compararam os anortositos terrestres com amostras lunares trazidas pelas missões Apollo. A composição química similar indica que ambos os corpos celestes compartilhavam uma origem comum, há cerca de 4,5 bilhões de anos.

Essa evidência reforça a hipótese de que a Lua se formou a partir de um impacto gigante na Terra primitiva, processo que teria liberado material suficiente para criar o satélite natural.

Implicações para a ciência planetária

A descoberta ajuda a reescrever a linha do tempo da evolução terrestre, mostrando que os continentes levaram bilhões de anos para se consolidar. Além disso, oferece insights sobre os primeiros ambientes habitáveis do planeta e a relação entre eventos cósmicos e a evolução geológica.

Estudos futuros continuarão a explorar cristais antigos e rochas ultramáficas, permitindo compreender com mais precisão os mecanismos que moldaram a Terra e a Lua, revelando histórias escondidas há bilhões de anos sob nossa superfície.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.