Embora não sejam visíveis a olho nu, os satélites de internet da Amazon, conhecidos como Amazon Leo, estão gerando preocupação entre astrônomos e engenheiros espaciais. Esses satélites refletem luz solar suficiente para interferir em observações astronômicas, criando rastros brilhantes que podem comprometer pesquisas científicas. A questão se torna mais urgente à medida que a órbita terrestre se aproxima de uma saturação tecnológica, com milhares de satélites em operação.
O crescimento de megaconstelações como Starlink, da SpaceX, e BlueBird, da AST SpaceMobile, amplia a disputa pelo espaço orbital. A expansão dessas redes comerciais visa oferecer internet de alta velocidade a regiões remotas, mas levanta sérios desafios ambientais, operacionais e científicos.
- Amazon Leo já possui cerca de 180 satélites em órbita;
- Satélites refletem luz acima do limite recomendado pela IAU;
- Interferência prejudica telescópios e rastreamento de asteroides;
- Altitudes menores aumentam brilho e risco de colisões.
Satélites brilhantes e o impacto científico
Estudos recentes, disponíveis no repositório arXiv, analisaram cerca de 2.000 observações dos satélites Amazon Leo e confirmaram que eles superam os limites de brilho recomendados pela União Astronômica Internacional (IAU). Embora invisíveis sem equipamentos especializados, os satélites aparecem em registros astronômicos e dificultam a coleta de dados científicos precisos, afetando pesquisas sobre galáxias, estrelas e objetos próximos à Terra.
Além da interferência em astronomia, a presença de tantas megaconstelações aumenta o risco de acidentes orbitais, criando um ambiente mais perigoso para detecção de asteroides e defesa planetária. A altitude de operação é outro fator crítico: satélites voando a cerca de 590–630 km refletem mais luz e aumentam a probabilidade de conflitos com telescópios e outros dispositivos em órbita.
Buscando soluções para um espaço congestionado
Empresas como SpaceX e Amazon afirmam desenvolver medidas de mitigação para reduzir o impacto visual e orbital de seus satélites. No entanto, especialistas defendem que limitar o número total de satélites na órbita baixa da Terra seria uma solução mais eficaz.
A questão transcende interesses corporativos: trata-se de preservar a ciência, segurança e sustentabilidade do espaço orbital, incluindo a proteção de observações astronômicas e monitoramento de asteroides. O diálogo entre cientistas, reguladores e sociedade é essencial para definir como a órbita da Terra será utilizada nas próximas décadas.

