Um novo estudo internacional, liderado pela Universidade da Colúmbia Britânica (UBC Okanagan), revelou detalhes inéditos sobre o campo magnético da Via Láctea, mostrando que ele é muito mais complexo do que se pensava. Utilizando o telescópio de 15 metros do Observatório Radioastrofísico Dominion (DRAO), os pesquisadores conseguiram criar o primeiro mapa de banda larga da rotação de Faraday, ferramenta crucial para estudar a magnetização galáctica.
O levantamento, chamado DRAGONS, fez parte da iniciativa maior Global Magneto-Ionic Medium Survey (GMIMS), e permitiu observar estruturas que antes eram invisíveis em toda a extensão do céu do hemisfério norte. Principais avanços do estudo:
- Mapeamento de grandes áreas do céu com alta precisão;
- Observação de campos magnéticos complexos em escalas amplas;
- Identificação de regiões magneticamente ativas ligadas a supernovas e braços espirais;
- Demonstração da interação entre matéria interestelar e campos magnéticos.
Tecnologias modernas e uma nova geração de descobertas
A pesquisa utilizou um telescópio de banda larga que escaneou rapidamente o céu, capturando ondas de rádio polarizadas em diferentes frequências. Essa técnica permite reconstruir a estrutura tridimensional do campo magnético, algo que, décadas atrás, era apenas uma hipótese teórica sem tecnologia disponível para comprovação.

Os estudantes da UBCO tiveram papel essencial, desenvolvendo algoritmos para filtrar interferências de rádio e analisando os primeiros sinais do telescópio. Isso não apenas aumentou a precisão dos dados, mas também preparou a próxima geração de astrônomos para pesquisas avançadas em radioastronomia.
Revelações sobre a evolução galáctica
O levantamento DRAGONS revelou que mais da metade do céu apresenta estruturas magnéticas complexas, desafiando modelos simplificados anteriores. Essas descobertas são essenciais para compreender como os campos magnéticos influenciam a formação de estrelas, a evolução das galáxias ao longo do tempo e a interação entre explosões de supernovas e o meio interestelar.
Além disso, estudos recentes baseados nesses dados já investigam fenômenos como a inversão do campo magnético galáctico, abrindo caminho para futuras descobertas e consolidando a contribuição canadense para a comunidade astronômica global.

