Você já percebeu que o chocolate amargo deixa a mente mais desperta? A ciência começa a entender o porquê disso. Um novo estudo sugere que compostos presentes no cacau podem estimular o cérebro, favorecendo atenção, memória e estado de alerta.
A descoberta ajuda a explicar como alimentos ricos em flavonóis podem beneficiar a função cerebral mesmo quando são pouco absorvidos pelo organismo.
O que o chocolate faz no cérebro
O chocolate amargo é rico em flavonóis, um tipo de polifenol também encontrado em frutas vermelhas e vinho tinto. Esses compostos já eram associados à saúde cardiovascular e à proteção das células cerebrais.
No entanto, existia um enigma: apenas uma pequena parte dos flavonóis chega à corrente sanguínea. Então como eles influenciam o cérebro?
Segundo o estudo publicado na revista Current Research in Food Science, intitulado “O flavanol adstringente ativa o sistema locus-noradrenérgico, regulando o neurocomportamento e os nervos autônomos”, liderado por Yasuyuki Fujii e publicado em 2025 (DOI: 10.1016/j.crfs.2025.101195), o efeito pode começar já na boca.
O papel do sabor amargo e adstringente
O sabor mais intenso e levemente seco do chocolate com alto teor de cacau é chamado de adstringência. Essa sensação pode funcionar como um sinal para o sistema nervoso.
Os pesquisadores observaram que esse estímulo sensorial ativa o sistema nervoso central, especialmente circuitos ligados à atenção e motivação. Entre as substâncias envolvidas estão:
- Dopamina, relacionada ao foco e à motivação
- Norepinefrina, ligada ao estado de alerta
- Ativação do sistema nervoso simpático
Essas respostas são semelhantes às que ocorrem durante o exercício físico leve, que também aumenta o estado de atenção.
O que os experimentos mostraram
Em testes com modelos animais, a ingestão de flavonóis levou a:
- Maior atividade física
- Melhor desempenho em tarefas de memória
- Aumento de neurotransmissores ligados à atenção
- Ativação de áreas cerebrais relacionadas ao estresse controlado
Isso sugere que o chocolate amargo pode estimular o cérebro por meio do paladar, não apenas pela absorção dos compostos no sangue.
Como aproveitar os possíveis benefícios
Para quem deseja incluir o chocolate na rotina de forma estratégica:
- Prefira versões com 70% de cacau ou mais
- Consuma em pequenas quantidades
- Evite produtos com alto teor de açúcar
Vale lembrar que o estudo não transforma chocolate em medicamento. No entanto, ele reforça que escolhas alimentares podem influenciar diretamente o funcionamento do cérebro.
Os resultados abrem espaço para o campo da nutrição sensorial, que investiga como sabor e textura ativam o sistema nervoso. Ou seja, o impacto dos alimentos pode começar antes mesmo da digestão.Embora mais estudos em humanos ainda sejam necessários, as evidências indicam que o chocolate amargo pode ser um aliado da atenção e da memória, quando consumido com moderação.

