Uma descoberta arqueológica recente na Espanha revelou um achado sem precedentes: os restos mortais de um cavaleiro da Ordem de Calatrava, datado entre os séculos XII e XV, apresentavam sinais de uma condição genética extremamente rara, a síndrome de Crouzon. O que chama atenção é que, até hoje, esta síndrome só havia sido identificada em bebês, tornando este caso único em adultos.
O estudo do esqueleto, publicado na revista Heritage, mostrou que, embora os ossos em geral não apresentassem alterações significativas, o crânio se destacava pelo formato estreito e alongado, característico da craniossinostose, condição em que as suturas cranianas se fecham precocemente, alterando a forma da cabeça.
Detalhes que revelam a vida do cavaleiro

A análise morfológica dos ossos permitiu reconstruir aspectos da vida deste homem medieval:
- Tamanho do crânio: 23 cm de comprimento por 12 cm de largura;
- Indícios de cavaleiro: marcas de inserção de músculos do braço compatíveis com equitação e treinamento militar;
- Lesões de batalha: ferimentos penetrantes na têmpora e nuca, além de contusões na tíbia, sugerindo morte em combate;
- Dificuldades físicas: mandíbula danificada e perda dentária parcial, possivelmente exigindo ajuda em tarefas cotidianas.
Apesar dessas limitações, o indivíduo aparentemente conseguia montar a cavalo e lutar, confirmando sua participação ativa na Ordem de Calatrava, que tinha como missão combater os muçulmanos na Espanha medieval.
Descoberta arqueológica evidencia impacto da síndrome de Crouzon
A síndrome de Crouzon é uma condição genética rara que não afeta significativamente a cognição ou a expectativa de vida, mas altera a morfologia craniana. Hoje, tratamentos cirúrgicos podem corrigir a craniossinostose em crianças, mas na Idade Média, tais intervenções eram impossíveis.
Este achado é significativo porque, além de ampliar o conhecimento sobre doenças genéticas em populações históricas, também evidencia como indivíduos com condições raras podiam ter vidas ativas e produtivas mesmo em contextos de guerra e restrições médicas severas.
O estudo, liderado por Carme Rissech e colegas da Universitat Rovira i Virgili, reforça a importância da arqueologia médica e abre caminho para novas pesquisas sobre a interação entre genética, saúde e função social em sociedades históricas.

