Câncer de fígado pode crescer mais devagar com menos proteína na dieta

Reduzir proteína na dieta pode retardar câncer de fígado. (Foto: Getty Images via Canva)
Reduzir proteína na dieta pode retardar câncer de fígado. (Foto: Getty Images via Canva)

O câncer de fígado está entre os tumores mais letais e apresenta uma taxa de sobrevida de cinco anos de aproximadamente 22%. Pesquisas recentes indicam que pequenas alterações na alimentação, especialmente na ingestão de proteínas, podem impactar diretamente o crescimento desses tumores. 

Um estudo publicado na revista Science Advances, intitulado A eliminação prejudicada de resíduos nitrogenados promove carcinoma hepatocelular, liderado por Xinlu Han em 2026, revela como a redução de proteínas na dieta pode retardar a progressão do câncer hepático em modelos experimentais.

Como a proteína influencia o crescimento tumoral

Quando o corpo metaboliza proteínas, ele gera amônia, uma substância tóxica que precisa ser processada pelo fígado. Em indivíduos com disfunção hepática, a amônia pode se acumular, criando um ambiente que favorece o crescimento de células cancerígenas.

O estudo demonstrou que:

  • Ratos com enzimas hepáticas desativadas acumularam amônia
  • Esses animais desenvolveram tumores maiores e apresentaram menor sobrevida
  • A amônia foi incorporada em aminoácidos e nucleotídeos, essenciais para a multiplicação das células tumorais

Dieta com baixo teor de proteína retarda tumores

Após identificar a relação entre amônia e crescimento tumoral, os pesquisadores testaram uma estratégia dietética prática. Ratos alimentados com dieta pobre em proteínas apresentaram:

  • Crescimento tumoral significativamente mais lento
  • Sobrevida prolongada em comparação aos que receberam proteínas normais

Para pessoas com fígado saudável, a ingestão de proteínas não costuma ser um problema, já que o órgão processa a amônia de forma eficiente. No entanto, em casos de doenças hepáticas, a redução de proteínas pode ser uma abordagem relevante para diminuir o risco e retardar a progressão do câncer.

O papel das doenças hepáticas

Doenças como esteatose hepática, hepatite viral e consumo excessivo de álcool podem comprometer a função do fígado, aumentando a probabilidade de desenvolvimento de câncer. Cerca de 25% dos adultos nos Estados Unidos convivem com esteatose hepática, uma condição que frequentemente evolui para cirrose, aumentando o risco de tumores hepáticos.

A pesquisa reforça a importância de monitorar a saúde do fígado e considerar ajustes dietéticos sob orientação médica.

Cuidados com mudanças na alimentação

Especialistas alertam que qualquer modificação na ingestão de proteínas deve ser discutida com médicos, especialmente durante tratamentos oncológicos, já que uma quantidade adequada de proteína é fundamental para manter massa muscular e força.

Portanto, a abordagem ideal depende de avaliação individual da função hepática e do estado geral de saúde do paciente.

Implicações para prevenção e tratamento

O estudo oferece novas perspectivas sobre estratégias dietéticas para indivíduos com risco de câncer hepático ou com doença já instalada. A compreensão de como a amônia alimenta tumores permite explorar intervenções nutricionais seguras que complementam tratamentos tradicionais como:

  • Cirurgia
  • Quimioterapia
  • Radioterapia
  • Terapias direcionadas e imunoterapia

Essas descobertas podem abrir caminho para protocolos mais personalizados, visando desacelerar o crescimento tumoral e melhorar a sobrevida.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn